Na Síria, 13,5 milhões de pessoas precisam de assistência. Cerca de 72% da população não tem acesso à água potável e 400 mil pessoas estão sitiadas. Operações da ONU estão subfinanciadas.

Dos 13,5 milhões de sírios que precisam de alguma forma de assistência, cerca de 2 milhões são crianças que tiveram de abandonar os estudos por conta do conflito no país. Foto: ACNUR / A. Solumsmoen
Ao final de sua segunda visita oficial à Síria, nesta segunda-feira (14), o subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, Stephen O’Brien, alertou a comunidade internacional sobre os 13,5 milhões de pessoas que precisam de assistência humanitária no país. O dirigente destacou que as operações da ONU estão subfinanciadas. O plano de resposta das Nações Unidas e parceiros para assistir a população em 2016 precisa de 3,2 bilhões para ser implementado.
De acordo com O’Brien, dos mais de 13 milhões de sírios que necessitam de auxílio, 6,5 milhões são pessoas internamente deslocadas. Estima-se que 2 milhões de crianças tiveram que abandonar os estudos. Cerca de 72% da população não tem acesso à água potável na Síria. “Essa situação é inaceitável, uma mancha em nossa consciência coletiva”, afirmou o chefe humanitário.
Ao longo de sua passagem pelo país, o dirigente do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) visitou a cidade de Homs e pôde conhecer moradores do bairro Al-Waer, onde um cessar-fogo foi negociado recentemente entre as partes do conflito. “Esse acordo permitiu à ONU e aos nossos parceiros, principalmente o Crescente Vermelho Árabe Sírio, levar assistência, durante a minha visita, para comunidades que não recebiam auxílio desde janeiro de 2015”, informou O’Brien.
Apesar dessas negociações bem-sucedidas na cidade, o cenário no resto da Síria é extremamente preocupante, segundo o chefe humanitário. Cerca de 4,5 milhões de pessoas permanecem em áreas de difícil acesso para as organizações de assistência. Desse contingente, 400 mil estão sitiadas. Entre janeiro e novembro desse ano, a ONU e instituições parceiras levaram auxílio a apenas 1,5% dos sírios que estão sob cerco e a 7% da população de zonas difíceis de serem alcançadas.
O’Brien afirmou que liberar a entrada de organizações humanitárias a qualquer lugar onde haja pessoas precisando de ajuda é uma obrigação de todas as partes do conflito sírio. O subsecretário-geral também lembrou os bombardeios aéreos em Douma, na Ghouta Oriental, que atingiram uma escola no domingo (13), e um ataque de morteiro em Damasco, que matou uma criança e deixou outras feridas. Esses incidentes são “um lembrete trágico da urgência de encontrar uma solução política e assegurar um cessar-fogo nacional”, disse.