Situação das minorias religiosas no Irã preocupa relatores da ONU

Segundo entrevistas de relator especial e estudos de organizações não governamentais, pelo menos 300 cristãos foram presos e detidos em todo o país desde junho de 2010.

Ahmed Shaheed lembrou que as igrejas no Irã relataram sofrer pressões para denunciar seus próprios membros

A prisão e detenção no Irã de centenas de cristãos nos últimos anos preocupa especialistas da ONU. Mesmo com a libertação do pastor Youcef Nadarkhani neste mês, o Relator Especial para Direitos Humanos no Irã, Ahmed Shaheed, e para a Liberdade de Religião e Crença, Heiner Bielefeldt, chamaram nesta quinta-feira (20) as autoridades iranianas a “aliviar o clima de medo em que muitas igrejas funcionam, especialmente os locais de cultos protestantes e evangélicos”.

Baseado em suas próprias entrevistas e relatórios de várias organizações não governamentais, Shaheed estima que mais de 300 cristãos foram arbitrariamente presos e detidos em todo o país desde junho de 2010, e que pelo menos 41 pessoas foram presas por períodos que variam de um mês a mais de um ano — às vezes, sem acusações oficiais. Bielefeldt solicitou a proteção de outras minorias, como os Bahá’ís, Yarsans, Dervishes e de outras religiões, credos ou crenças não reconhecidas pela Constituição iraniana.

“As igrejas continuam a relatar pressões indevidas para denunciar membros, no que parece ser um esforço para pressionar e, às vezes, até mesmo deter convertidos, apesar de os artigos 13, 14 e 26 da Constituição iraniana protegerem os direitos dos cristãos e outros”, disse Shaheed.

Nadarkhani foi preso em outubro de 2009 e passou três anos na prisão. Em setembro de 2010, foi culpado e condenado à morte sob as acusações de apostasia e evangelismo que, segundo ele, não são qualificadas como ofensas no código penal iraniano. A prática da sua religião é um direito garantido pela Constituição do país e no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, que esta Nação do Oriente Médio ratificou em 1975.

O Supremo Tribunal Federal confirmou a sentença e declarou que, a menos que o acusado renunciasse ao cristianismo, o pastor seria executado por enforcamento. Neste mês, autoridades jurídicas reduziram sua acusação para a de “evangelizar muçulmanos”, sob a sentença de três anos de prisão, que ele já cumpriu.