Situação de 700 mil civis na República Centro-Africana preocupa ONU

Relatos de saques e violência na República Centro-Africana, onde o grupo rebelde armado Séléka ameaçou marchar sobre a capital Bangui, já provoca a fuga de civis.

Casa em ruínas e abandonada no norte da República Centro-Africana.Foto:IRIN/Anthony Morland.

O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) manifestou na quarta-feira (2) sérias preocupações sobre a proteção de civis em meio a relatos de saques e violência na República Centro-Africana (RCA), onde o grupo rebelde armado “Séléka” ameaçou marchar sobre a capital Bangui. Após realizar recentes ataques em algumas cidades do nordeste do país, o Séléka teria parado seu avanço esta semana para a capital e concordou em iniciar negociações de paz em uma reunião com representantes do governo na capital do Gabão, Libreville.

“Estima-se que 316 mil pessoas vivem nas áreas afetadas, e cerca de 700 mil pessoas em Bangui correm risco de uma intensificação no combate”, disse o OCHA em um relatório sobre a RCA emitido na quarta-feira (2). “Há relatos de pessoas que fugiram de suas casas em busca de segurança partindo de algumas áreas como Bangui, o interior e entorno de Ndélé, onde os combates eclodiram inicialmente, e atravessando as fronteiras para a República Democrática do Congo e Camarões”, acrescentou o OCHA.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, e o Conselho de Segurança condenaram os ataques e pediram aos rebeldes para deter as hostilidades, além de solicitarem uma resolução por meio do diálogo. O OCHA ressaltou que a violência levou a retirada temporária de equipes humanitária das áreas afetadas e tem prejudicado os programas humanitários nesses locais. A RCA tem um histórico de instabilidade política e conflitos recorrentes. Para a ONU, a autoridade do Estado é fraca em muitas partes do país, em grande parte controladas por grupos rebeldes e grupos armados criminosos.