Situação de refugiados beduínos da Palestina é ‘inviável’, diz estudo da ONU

Segundo documento divulgado na terça-feira (28), a infraestrutura e a higiene dos assentamentos em que vivem este segmento da população são precárias.

Crianças beduínas na área ocupada por Israel na Cisjordânia. Foto: IRIN/Phoebe Greenwood

Crianças beduínas na área ocupada por Israel na Cisjordânia. Foto: IRIN/Phoebe Greenwood

A transferência de famílias beduínas da Palestina para áreas urbanas acabou privando essas pessoas de uma coesão social e está destruindo a sua base econômica tradicional, segundo um estudo feito pela agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos — UNRWA — e uma organização israelense sem fins lucrativos, chamada Bimkom.

A pesquisa, divulgada na terça-feira (28), analisa a transferência de 150 famílias beduínas da Palestina para a vila de Al Jabal, Cisjordânia, contra a sua vontade. O deslocamento foi observado desde 1997 quando eles foram para o assentamento de Ma’ale Adumim. Os pesquisadores concluíram que a situação dessas famílias tornou-se social e economicamente “inviável”.

A divulgação do estudo acontece ao mesmo tempo em que as autoridades israelenses planejam mudar todas as comunidades beduínas restantes das áreas ao redor de Jerusalém para um segundo local, afirma a agência da ONU em um comunicado à imprensa. Segundo ela, se as autoridades avançarem com os planos, o número de pessoas deslocadas seria quatro vezes maior do que aqueles deslocados inicialmente para Al Jabal.

De acordo com o porta-voz da UNRWA, Chris Gunness, “as autoridades israelenses estão planejando criar uma segunda aldeia beduína na área ocupada da Cisjordânia. No entanto, as conclusões gritantes desse relatório podem levar a uma reavaliação dessa política”.

No relatório, os autores afirmam que o tipo de planejamento urbano desenvolvido pelas autoridades israelenses para Al Jabal “não é uma solução adequada”. Eles ressaltaram que o espaço de terra muito pequeno, em conjunto com a infraestrutura precária, “podem levar a danos significativos aos direitos humanos”.

Além disso, Al Jabal fica ao lado do maior depósito de lixo na Cisjordânia, onde 700 toneladas de resíduos são descartados diariamente. O lixo cria “altos níveis de gases tóxicos que constituem um perigo imediato à saúde dos moradores, mas também pode causar combustão interna e de superfície”, podendo levar a explosões e incêndios, entre outros riscos.

Os autores da pesquisa pediram um plano adequado, desenvolvido com os próprios moradores, que leve em consideração os aspectos socioculturais, proporcione subsistência e desenvolvimento de oportunidades.

O estudo também observou que, assim como todos os assentamentos, Ma’ale Adumim é ilegal sob a lei internacional.