Quatro agências das Nações Unidas e parceiros avaliaram a situação das famílias deslocadas internamente em Hasiya, uma cidade de 16 mil habitantes no centro-oeste sírio.
Um bebê descansa em uma das tendas em Hasiya. As crianças enfrentam atualmente muitos problemas de saúde. Foto: ACNUR/A.Blazy
Com o número crescente de pessoas deixando a Síria, a agência da ONU para refugiados (ACNUR) afirmou por meio de um comunicado que continua entregando ajuda para civis desesperados dentro do país, em meio à dificuldade operacional e os desafios de segurança.
Nesta semana, quando o número de refugiados sírios nos países vizinhos ultrapassou os 1,6 milhão, o ACNUR integrou-se a uma missão interagencial, liderada pelo Crescente Vermelho Sírio, para avaliar a situação das famílias deslocadas internamente em Hasiya, uma cidade de 16 mil habitantes no centro-oeste sírio.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) também fizeram parte da missão.
“O ACNUR testemunhou a situação calamitosa dessas famílias deslocadas”, disse o porta-voz Dan McNorton a jornalistas em Genebra, adicionando que as famílias são originárias de Al Qusair, a 25 km de distância.
A intensificação dos conflitos nas últimas três semanas em Al-Qusair forçou muitos a fugir. Ao menos 700 famílias, ou 3.500 pessoas, procuraram abrigo em Hasiya, a maior parte mulheres e crianças. Outros cruzaram para o Líbano. Desde 8 de maio a equipe do ACNUR no Líbano registrou 3 mil refugiados de Al-Qusair, embora o número atual seja provavelmente mais alto.
Mc Norton disse que a equipe interagencial visitou vários locais que agora abrigam cerca de 150 famílias. Elas estão em três escolas e um prédio em obras, e têm erguido tendas doadas por pessoas de Hasiya.
A equipe está preocupada com o bem-estar das pessoas. “Devido à condição de saneamento e higiene muito pobre na qual estão vivendo, muitos estão sofrendo de diarreia, problemas respiratórios, febres altas, otites e doenças de pele, especialmente as crianças”, disse McNorton. “A clínica mais próxima está a 40 minutos de distância”, observou.
Três dias antes, o ACNUR entregou itens essenciais de ajuda humanitária, como cobertores e colchões, para 500 famílias. “No entanto, as necessidades permanecem muitas e o ACNUR estuda como entregar itens adicionais para cobrir as necessidades daqueles que chegam”, ressaltou o porta-voz.
As famílias em Hasiya informaram que precisam urgentemente de leite, fraldas, suprimentos médicos e abrigos adequados. A água da cidade também é escassa e insuficiente para a crescente população. A maior parte da comunidade de acolhida e da população deslocada é dependente de um caminhão pipa do Crescente Vermelho, que abastece o local uma vez por semana.
McNorton disse que durante a visita — realizada em conjunto com autoridades locais — o ACNUR identificou um prédio que poderia oferecer abrigo seguro para os deslocados pelo conflito em Al-Qusair. Ele poderia ser utilizado também para a entrega de itens básicos, tais como colchões, colchonetes, cobertores, kits de cozinha, lençóis de plástico e itens de higiene e saneamento.