Situação humanitária na República Centro-Africana continua a piorar, adverte ONU

Toda a população de 4,6 milhões – incluindo 2,3 milhões de crianças – foi afetada. Desde a semana passada, cerca de 40 mil pessoas já fugiram do país.

Um voo especial fretado pelo UNICEF transportou mais de 23 toneladas de medicamentos essenciais, fontes obstétricas e tanques de água para a capital da República Centro-Africana, Bangui. Foto: UNICEF/Dede Mambeanre

Um voo especial fretado pelo UNICEF transportou mais de 23 toneladas de medicamentos essenciais, fontes obstétricas e tanques de água para a capital da República Centro-Africana, Bangui. Foto: UNICEF/Dede Mambeanre

A situação humanitária na República Centro-Africana (RCA) continua a se deteriorar, com agitação em massa e deslocamentos em larga escala em todo o país cerca de três semanas após os rebeldes armados terem tomado o poder. A informação foi divulgada esta semana pelas Nações Unidas.

“As comunidades afetadas pela crise estão em necessidade urgente de assistência alimentar, proteção, saúde, água e saneamento e apoio. Há sérias preocupações sobre violações generalizadas dos direitos humanos em todo o país”, alertou o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), ao atualizar informações sobre a situação do país africano.

“Os esforços humanitários têm sido dificultados pela insegurança e o acesso limitado às pessoas em necessidade”, acrescentou a Organização, pedindo que todas as partes facilitem o acesso de todos os trabalhadores humanitários que precisam chegar às comunidades afetadas com itens ajuda de emergência tais como alimentos, água, abrigo e suprimentos médicos.

Desde a semana passada, cerca de 40 mil pessoas fugiram do país. Na terça-feira (9), a chefe do Escritório Integrado da ONU de Construção da Paz no RCA (BINUCA, na sigla em francês), Margaret Vogt, disse ao Conselho de Segurança da ONU através de uma videoconferência a partir da capital Bangui, que o retorno à legalidade é extremamente crítica.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que toda a população do país – cerca de 4,6 milhões de pessoas, incluindo mais de 2,3 milhões de crianças – esteja sendo diretamente afetada pelo conflito devido ao colapso dos serviços e da ordem institucional. Agências da ONU e organizações não governamentais que atuam no país também foram afetadas após seus escritórios, veículos e armazéns terem sido saqueados.

O país tem sido sacudido pela violência entre facções por anos, especialmente no norte. No mês passado um grupo de rebeldes entrou em Bangui, forçando o presidente François Bozizé a fugir.