A violência e o número de desabrigados crescentes, mais problemas de segurança e acesso, dificultam a ajuda humanitária no país. Em março, apenas 6% dos civis em áreas sitiadas receberam auxílio.

Funcionários da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) distribuem auxílio para refugiados sírios no Líbano. Além do número alarmante de deslocados dentro da Síria, a guerra civil já resultou em mais de 2 milhões de refugiados. Foto: ACNUR/F. Juez
Na última sexta-feira (28), a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos, alertou ao Conselho de Segurança da Organização que a situação humanitária na Síria “é e continuará sendo desoladora enquanto não nos for garantido total e desimpedido acesso” às áreas mais necessitadas.
Amos, que coordena o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), disse que, a despeito da resolução do Conselho determinando o fim do conflito e a ampliação do acesso à assistência, a situação dos sírios pouco mudou, enquanto a violência só fez crescer nas quatro semanas posteriores à publicação da medida.
Destruição e isolamento
Desde 22 de fevereiro, segundo Amos, em torno de 300 casos de violência sexual foram registrados somente na cidade e zona rural de Damasco. “Estou muito preocupada com as centenas de milhares de pessoas desabrigadas em áreas como o leste de Alepo ou Yabroud, ao sul, o que as deixa mais e mais isoladas do nosso sistema de auxílio.”
Em relatório publicado em 24 de março, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, traz uma visão igualmente sombria. Segundo ele, o conflito sírio está dominado por ataques indiscriminados e desproporcionais, com o número de mortes alcançando a marca de 200 pessoas em março.
A situação é mais dramática nas regiões de Damasco, Alepo – no mínimo meio milhão de pessoas deslocadas e 100 mil abrigadas em campos próximos às fronteiras turcas – e Daraa. Nesta última, “as lutas entre forças governistas e opositoras pioraram, deixando em torno de 159 mil pessoas desabrigadas no fim de fevereiro”, informou Ban.
Apesar dos diversos apelos das Nações Unidas pelo fim do confronto e dos constantes reforços ao quadro de ajuda humanitária, “a falta de segurança e controle do material impedem que a assistência vital chegue à população”, continua Amos. “Não obstante os melhores esforços de nossa equipe, apenas 6% das pessoas em áreas sitiadas receberam ajuda no mês passado.”
Ao fim, a representante da ONU pediu ao Conselho para que usasse sua influência a fim de proteger os civis e encontrar uma solução política para as partes em conflito. “À medida que a crise piora, são os homens comuns, mulheres e crianças que, independente de origem, identidade ou crença religiosa, carregam nas costas o peso das lutas.”