Situação humanitária no Mali continua ‘altamente frágil’, alertam representantes da ONU após visita

Neste ano, apenas 50% do financiamento solicitado para apoiar necessidades humanitárias do país foi concedido.

Residentes em Kidal, no Mali. Foto: ONU/Mark Garten

Residentes em Kidal, no Mali. Foto: ONU/Mark Garten

“A situação humanitária no Mali continua altamente frágil”, disse o diretor de operações do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging, após uma visita de três dias ao país, juntamente com os diretores de emergência do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), Afshan Khan, e do Fundo de População da ONU (UNFPA), Mabingue Ngom.

Segundo eles, o Mali está em uma encruzilhada humanitária crítica e a falha em responder imediatamente às necessidades urgentes do país pode comprometer o seu caminho em direção à paz e à estabilidade.

“Embora a assistência humanitária não possa fornecer a solução para esta crise, que remonta a mais de 50 anos, ela pode fornecer uma forte contribuição, garantindo que o sofrimento humano seja aliviado e as pessoas possam reconstruir suas vidas, enquanto o processo político continua”, afirmou Ging.

Neste ano, apenas 50% do financiamento solicitado para ajudar nas necessidades humanitárias foi concedido, impactando diretamente a presença da ONU no país e na sua capacidade de fornecer assistência.

Na ocasião, o diretor de emergência do UNICEF reforçou a necessidade de restaurar os serviços básicos no Mali. Além disso, ele alertou que cerca de 500 mil crianças em todo o país podem ser vítimas da desnutrição aguda até o final do ano e boa parte delas estão sem acesso a educação há mais de três anos.

Durante a visita a Gao e Kidal, eles se encontraram com representantes de grupos armados, representantes do governo, parceiros humanitários e grupos de mulheres. Em Bamako, capital do país, eles se reuniram com o primeiro-ministro e o ministro da Solidariedade.