O chefe de direitos humanos das Nações Unidas alertou que a segurança e a situação de direitos humanos na República Centro-Africana podem estar começando a se deteriorar novamente, depois de uma série de grandes incidentes na capital Bangui e em áreas rurais do país.

Patrulha da MINUSCA trabalha na capital da República Centro-Africana, Bangui. Foto: MINUSCA
O chefe de direitos humanos das Nações Unidas alertou nesta segunda-feira (4) que a segurança e a situação de direitos humanos na República Centro-Africana podem estar começando a se deteriorar novamente, depois de uma série de grandes incidentes na capital Bangui e em áreas rurais.
“Enquanto 2016 começou num tom positivo, com o sucesso das eleições de fevereiro, eventos recentes em Bangui e outras partes do país fazem com que eu tema uma nova escalada da violência nos próximos meses”, disse o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, em comunicado à imprensa.
“Existe uma necessidade urgente de desarmar grupos armados — que continuam muito poderosos e têm o potencial de reiniciar o conflito — assim como de restaurar a autoridade estatal e o Estado de Direito, e garantir a segurança para todos os civis”, acrescentou.
Ele notou que as tensões têm aumentado desde meados de junho em Bangui entre grupos armados e soldados servindo à Missão da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA) no bairro muçulmano de PK5.
Seis homens armados foram mortos e cerca de 15 civis ficaram feridos em confrontos em 20 de junho. No mesmo dia, as forças da MINUSCA intervieram para resgatar autoridades policiais que estavam cercadas em um edifício por uma multidão armada e hostil.
Em 24 de junho, um soldado senegalês das Forças de Paz da ONU também foi morto em Bangui por homens armados não identificados. Na ocasião, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o assassinato e pediu que as circunstâncias do crime fossem exaustivamente investigadas, de acordo com seu porta-voz.
Comboios humanitários são atacados
O coordenador humanitário interino da ONU na República Centro-Africana, Michel Yao, condenou fortemente em meados de junho (20) o ataque armado contra um comboio da organização Médicos Sem Fronteiras que carregava medicamentos e combustível da capital Bangui para a cidade de Bangassou, no sudeste do país, no dia 17.
De acordo com comunicado emitido pelo coordenador do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o chefe do comboio foi morto no ataque.
Yao lembrou as precárias condições do trabalho de ajuda humanitária no país e afirmou que os trabalhadores humanitários fornecem assistência vital para aliviar o sofrimento das pessoas afetadas pela crise.
A República Centro-Africana está em conflito desde 2013, quando a milícia muçulmana Seleka tomou o controle do país, de maioria cristã.