Situação precária na Líbia mostra necessidade de diálogo com milícias, afirma enviado da ONU

Em reunião com membros do Conselho de Segurança, o líder da Missão da ONU no país relatou a frustração popular com o processo político e com a persistência de milícias armadas.

Prisão em Trípoli, na Líbia, onde diversas violações dos direitos humanos ocorreram. Na imagem, um ex-prisioneiro revisita a cela. Foto: UNSMIL/Iason Athanasiadis

Prisão em Trípoli, na Líbia, onde diversas violações dos direitos humanos ocorreram. Na imagem, um ex-prisioneiro revisita a cela. Foto: UNSMIL/Iason Athanasiadis

A contínua “precariedade” da segurança na Líbia destaca a necessidade do diálogo entre o governo e as principais milícias armadas, disse, nessa segunda-feira (9), o chefe das Nações Unidas no país do norte da África ao Conselho de Segurança.

“É essencial que todas as partes comprometam-se com um diálogo e criem um equilíbrio de incentivos para estimular um processo amplo de reintegração e eventual desarmamento”, disse Tarek Mitri, representante especial do secretário-geral, em uma reunião com os 15 membros do Conselho.

Mitri, que também lidera a Missão da ONU (UNSMIL) na Líbia, destacou que o objetivo final era o monopólio do Estado no uso da força.

A UNSMIL tem apoiado os esforços do governo da Líbia e dos líbios para garantir o sucesso do processo de transição democrática no país, que está instável desde a derrubada do presidente Muammar al-Qadhafi há dois anos.

Na reunião, Mitri relatou a frustração popular com o processo político e com a persistência de milícias armadas, muitas das quais se originaram na luta para derrubar Qadhafi.

Em novembro, lutas entre milícias em Trípoli e assassinatos em Benghazi desencadearam manifestações pedindo a retirada dos grupos armados de áreas urbanas, disse ele, reportando que o resultado conduziu a mortes em ambas as cidades.

Houve alguns retiradas das milícias em Trípoli e uma trégua negociada em Benghazi, disse Mitri, embora acrescentando que ainda é necessário ver quão eficazes serão estes movimentos e observando que há problemas graves como a fragilidade da capacidade militar e das instituições políticas.