Sobrepesca aumenta população de águas-vivas e ameaça peixes, alerta FAO

Aumento da população de águas-vivas nos oceanos devido à pesca excessiva causa o desequilíbrio na dinâmica presa-predador e preocupa especialistas.

Aumento da população de águas-vivas nos oceanos devido à pesca excessiva causa o desequilíbrio na dinâmica presa-predador e preocupa especialistas.

Águas-vivas. Foto: Brocken Inaglory/Wikimedia

Águas-vivas. Foto: Brocken Inaglory/Wikimedia

A tendência de sobrepesca e de crescimento do número de águas-vivas, se mantida, pode causar “a mudança de regime global de oceanos de peixes para oceanos de águas-vivas”. Essa é a opinião de especialistas citados no relatório Revisão do Surgimento de Águas-vivas no Mediterrâneo e no Mar Negro.

O estudo lançado recentemente pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) relaciona o surto populacional de águas-vivas, motivado pela pesca excessiva, como uma das razões por trás da queda observada na quantidade de peixes no Mediterrâneo e no Mar Negro. A pesca excessiva remove os principais predadores do mar, ajudando a criar condições favoráveis para a reprodução e o aumento das águas-vivas.

O surto populacional cria um círculo vicioso. As águas-vivas se alimentam cada vez mais de ovos e larvas de peixes e também competem por alimento com os peixes – já em menor presença devido à pesca excessiva. Nesse ritmo, a tendência é que a água-viva substitua os peixes nos oceanos do mundo inteiro, afirma o relatório.

A alternativa defendida por especialistas é incorporar as pesquisas sobre águas-vivas na gestão da pesca.

O relatório pede a utilização de águas-vivas em produtos alimentícios e medicinais. A China é um dos primeiros países a processar água-viva para o consumo humano. Outras águas-vivas, como a “água-viva imortal”, capaz de reverter o seu processo de envelhecimento, pode servir ao desenvolvimento de produtos de rejuvenescimento poderosos para os seres humanos.

O impacto da água-viva foi vivenciado no início de 1980, quando a Mnemiopsis leidyi, espécie de água-viva que habita o Atlântico, foi acidentalmente introduzida no Mar Negro e a pesca foi extremamente prejudicada – a água-viva praticamente dizimou a população de anchovas, que tem um alto valor comercial na região.

Mais recentemente, em novembro de 2007, uma multidão de 26km² de águas-vivas acabou com uma piscicultura de 100 mil salmões na Irlanda do Norte, causando danos de 1,5 milhão de dólares.