Sociedade quer mais atenção do Estado para pessoas dependentes de cuidados, diz CEPAL

Para 95% dos consultados na pesquisa de opinião conduzida pela CEPAL, o poder público deve contribuir para ajudar no cuidado de dependentes, como crianças, pessoas inválidas ou com doenças crônicas.

Antonio Prado apresentou as conclusões do relatório

Uma pesquisa de opinião da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) sobre a responsabilidade com pessoas dependentes, especialmente crianças, inválidos, anciãos e adultos com doenças crônicas, revelou o anseio para que o cuidado seja compartilhado entre as famílias e o Estado. O relatório, lançado na terça-feira (21), chama-se Consulta de Opinião sobre as Políticas de Cuidado com Pessoas Dependentes na América Latina e reúne o resultado de conversas com 500 lideranças de diferentes países latino-americanos.

Na consulta, 94% das mulheres e 88% dos homens entrevistados concordam que a responsabilidade do cuidado com pessoas dependentes é assumida atualmente pelas mulheres da família, mas que deveria ser compartilhada entre todos os membros. Para 95% dos consultados, o poder público deve contribuir para ajudar os dependentes.

O Vice-Secretário Executivo da CEPAL, o brasileiro Antonio Prado,  apresentou o relatório e falou da opinião dos consultados sobre os projetos para responder socialmente  ao cuidado das pessoas com dependência.

“A maioria dos consultados pensa que as políticas atuais não são suficientes para satisfazer as demandas, e que novas políticas devem ser criadas”.

A Ministra Diretora do Serviço Nacional da Mulher do Chile (SERNAM), Carolina Schmidt, declarou que é necessário uma mudança na mentalidade das famílias, no trabalho e no cuidado infantil, para que os gêneros feminino e masculino tenham igualdade de condições e direitos.

“Persiste uma associação mental entre as mulheres e o cuidado com os filhos, doentes e idosos, incluído também na legislação trabalhista. Isto dificulta a empregabilidade da mulher”, disse. “Por isto, são necessárias políticas públicas que gerem melhores condições para as crianças e dependentes. Se trata de uma demanda por justiça social”, concluiu.