Somália: ONU distribui 240 toneladas de alimentos durante feriado que encerra mês sagrado do Ramadã

“Os somalis devem ter o direito de escolher permanecer em seu próprio país”, disse o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados em visita ao país.

“Em toda a minha vida, eu nunca tinha visto uma seca tão ruim como esta.” Kadija Mohammed, 78 anos.

As Nações Unidas fizeram o transporte aéreo, da Arábia Saudita para a Somália, de 240 toneladas de alimentos para a ajuda humanitária durante o feriado de Eid al-Fitr, que marca o encerramento do mês sagrado do Ramadã, época em que os muçulmanos jejuam para renovar a fé e a fraternidade.

A ajuda é feita em pacotes especiais, com refeições prontas, suco de laranja, doces e biscoitos, informou o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Adrian Edwards. O foco da assistência são as pessoas deslocadas internamente na Capital, Mogadíscio, e na Baixa Shabelle, áreas consideras em epidemia de fome desde o final de julho.

Em demonstração de solidariedade, o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, realiza uma visita de três dias no Chifre da África. Na última terça-feira (30/08), ele fez um pronunciamento na cidade de Dollow, na Somália, sobre as ações da agência, que beneficia cerca de 850 mil somalis. “Os somalis devem ter o direito de escolher permanecer em seu próprio país”, disse Guterres.

A visita marca o começo de uma ação mais ampla no interior do país. De acordo com Edwards, Quênia e Etiópia registraram redução no influxo de refugiados, mas a situação nos campos ainda é desafiadora.

ACNUR percebe aumento na taxa de mortalidade infantil no campo de Kobe

Na Etiópia, na região de Dollo Ado, o campo de Kobe registrou redução na taxa geral de mortalidade. O indicador passou de 5,7 mortes por dia a cada 10 mil pessoas, para 4,9, comparando-se as duas últimas semanas. Mas a mortalidade infantil continua a registrar aumento. A taxa passou de 12,9 a cada 10 mil por dia, para 15,3 nos últimos sete dias. O sarampo responde por 68% das fatalidades, seguida pela desnutrição, pneumonia e diarreia.

Apesar dos programas de saúde e alimentação, muitos pais não conseguem dar tratamento contínuo às suas crianças. Para Edward é preciso investir na descentralização dos serviços. Essa semana, o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) irá iniciar uma campanha com uma clínica móvel, para incentivar os refugiados a utilizarem os serviços.

Na última terça-feira (30/08) o ACNUR recebeu 62 milhões de dólares, a maior doação já feita por uma instituição privada. Os recursos, oferecidos pela Fundação IKEA, serão desembolsados em um período de três anos.