Somália precisa de apoio da comunidade internacional para consolidar vitórias de 2012, diz ONU

Agosto de 2012 marcou uma virada política histórica para a moderna Somália com a tomada de posse do primeiro parlamento formal do país em mais de 20 anos.

Representante Especial do Secretário-Geral para a Somália, Augustine P. Mahiga(ONU/Stuart Price)O Representante Especial do Secretário-Geral para a Somália, Augustine P. Mahiga sinalizou na segunda-feira (31) a necessidade de apoio internacional ininterrupto para que o país do Chifre da África tenha os ganhos do ano passado consolidados e possa avançar ainda mais.

“Pela primeira vez em uma geração, uma Somália segura, próspera e em paz consigo mesma e com seus vizinhos parece ser uma aspiração razoável e não um sonho distante”, disse ele, em uma carta “de fim de ano” para o povo da Somália e a comunidade internacional.

Para ele, no entanto, o caminho para a estabilização não será fácil. “A Somália continua a ter uma situação de necessidade de apoio por parte da comunidade internacional, que terá de voltar a investir de forma abrangente e generosamente”.

O mês de agosto marcou uma virada política histórica para a moderna Somália com a tomada de posse do primeiro parlamento formal do país em mais de 20 anos. O evento trouxe um fim à chamada “transição” da Somália, que havia começado com o lançamento, em 2004, de um governo interino apoiado pela ONU após somalis estarem sem um governo funcional desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991.

Em sua carta, Mahiga falou de um ano-novo cheio de promessa e esperança para o país, que, desde 1991, tem visto os “senhores da guerra”, militantes islâmicos e seus vizinhos interferindo nas questões do país.

“Depois de várias tentativas fracassadas da transição na Somália, conseguimos no ano passado porque o processo foi inclusivo, transparente, legítimo, participativo e autogerido pela Somália”, disse o enviado da ONU.

O Representante Especial também chefia o Escritório Político da ONU para a Somália (UNPOS), que o foi criado em 1995 para ajudar na construção da paz e da reconciliação, através de contatos com os líderes somalis, organizações cívicas e Estados. O UNPOS suporta a força de paz da União Africana (UA) na Somália, que, conhecida pela sigla AMISON, desde 2007 vem tentando ajudar a trazer a paz ao país.

Uma série de ofensivas do Governo da Somália e da UA, bem como uma incursão do exército queniano em 2011, resultou no fim da linha de frente de combate envolvendo o grupo militante islâmico al-Shabaab na capital somali, Mogadíscio, em agosto de 2011. A Al-Shabaab perdeu seu último bastião urbano – o importante porto do sul de Kismayo – em outubro passado, juntamente com a relevante cidade do interior Wanla Weyn.

“No início do ano, o meu escritório e metade de sua equipe se mudou para a Somália e continuou a trabalhar ao lado de importantes parceiros somalis em uma variedade de setores”, disse Mahiga em sua carta de fim de ano, em uma referência ao movimento da sede do UNPOS do antigo escritório em Nairobi, no Quênia.

“O centro de gravidade foi transferido para Mogadíscio, e o UNPOS concluirá a revisão estratégica de grande importância para garantir o alinhamento total das suas políticas e programas com os objetivos e metas do novo governo”, acrescentou.