Civis que buscavam refúgio da violência instaurada no país desde domingo (15) podem ter sido feridos ou mortos. Cerca de 35 mil pessoas buscam abrigo nas instalações das Nações Unidas.

Civis não param de chegar no complexo da Missão da ONU no Sudão do Sul, em Bor, capital do estado de Jonglei, buscando refúgio da violência. Foto: UNMISS/Hailemichael Gebrekrstos
A base das Nações Unidas no Sudão do Sul sofreu um ataque nesta quinta-feira (19), informou na organização por meio de um comunicado. Civis que buscavam refúgio no prédio durante confrontos entre as forças do governo e rebeldes podem ter sido feridos ou mortos. O número de pessoas fugindo dos conflitos para instalações da ONU subiu para 35 mil.
A missão da ONU no país (UNMISS) realizou uma avaliação aérea para em Akobo na manhã desta sexta-feira (20). “Podemos confirmar que dois soldados indianos da UNMISS foram mortos em ação. A UNMISS também pode confirmar que um soldado indiano ferido foi transportado para o centro médico da Missão em Malakal”, disse a missão.
A UNMISS condenou “nos termos mais fortes” a violência que ocorreu na região e continua em outras partes do país. “Apelamos a todas as partes que se abstenham de mais violência e busquem uma solução pacífica para a crise”, disse a missão em comunicado.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ficou “em choque” ao saber do atentado à base da missão da ONU e exigiu que as forças do governo e da oposição respeitem os direitos dos civis e garantam o seu bem-estar e segurança.
Em comunicado, a Missão afirmou que no momento do ataque, 43 soldados indianos, seis assessores da ONU na área policial, dois funcionários civis da ONU e cerca de 30 sul-sudaneses estavam na base.
“A UNMISS está fazendo tudo o que pode em uma situação complicada para proteger os civis, funcionários internacionais e da ONU que trabalham no local”, disse um comunicado emitido pelo porta-voz de Ban. “Há indícios de que civis podem ter sido mortos ou feridos no ataque, mas essa informação ainda precisa ser verificada. Caso esses relatórios sejam verídicos, os responsáveis deverão ser responsabilizados por seus crimes.”
Há menos de três anos o país ganhou a independência do Sudão e neste domingo (15) foi atirado de volta ao tumulto quando, de acordo com relatos da mídia, o governo do atual presidente, Salva Kiir, disse que soldados leais ao ex-vice-presidente, Riek Machar, demitido em julho, lançou uma tentativa de golpe. Relatórios indicam que, desde então, centenas de pessoas foram mortas em confrontos no país.
“O futuro desta jovem nação exige que a sua atual liderança faça todo o possível para evitar que o caos se instaure no país, por que isso seria uma traição dos ideais por trás de sua longa luta pela independência”, disse a declaração de Ban apenas horas depois de o secretário-geral adjunto, Jan Eliasson, ter alertado para um potencial aumento da violência no Sudão do Sul.
Eliasson afirmou em uma coletiva de imprensa que “o diálogo político é a única maneira de evitar mais uma escalada de violência”.
Em comunicado condenando o ataque, a Missão afirmou que “espera que todas as forças, independente de qual lado estejam, garantam a segurança dos funcionários da UNMISS e quaisquer civis localizados dentro das instalações da missão”, acrescentando que planeja enviar aviões e evacuar funcionários da organização nesta sexta-feira (20).
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que seu escritório tem recebido “relatos de civis mortos em Juba por causa da sua etnia”. Ela fez um apelo “ao governo para enviar uma mensagem clara sobre a responsabilidade de comando dentro do Exército sul-sudanês para evitar ataques de retaliação com base na etnia e afiliação tribal e que os autores desses crimes sejam responsabilizados por seus atos”.