Sudão do Sul: cinco trabalhadores humanitários foram mortos por milícias, alerta ONU

De acordo com a ONU, estes crimes colocam a operação humanitária em risco já que a vida de dezenas de milhares de pessoas dependem da ajuda humanária para sobreviver.

Uma família acampada dentro do complexo da ONU em Malakal, Alto do Nilo, Sudão do Sul. Foto: OCHA

Uma família acampada dentro do complexo da ONU em Malakal, Alto do Nilo, Sudão do Sul. Foto: OCHA

A Missão de Paz das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) condenou veementemente nesta terça-feira (05) o assassinato de ao menos cinco trabalhadores humanitários de organizações não-governamentais no condado de Maban, na região do Alto do Nilo.

Duas das vítimas foram mortas na cidade de Bunj e um terceira terceira pessoa está desaparecida e presume-se que esteja morta. Outros três trabalhadores foram assassinados numa emboscada quando voltavam para a cidade. Segundo relatos, o alvo da milícia são as pessoas de origem Nuer depois de que um combate com soldados dessa etnia deixou baixas entre os milicianos.

Através de um comunicado, a UNMISS explicou que membros da milícia autodenominada Força de Defesa Mabanese têm se movido ao redor da cidade, aproximando-se aos escritórios das organizações humanitárias e perguntando se eles têm empregados Nuer, uma etnia do vale do Nilo que se concentra no Sudão do Sul.

A UNMISS também revelou estar profundamente preocupada com a deterioração da segurança na região e informou ter enviado uma unidade das forças de paz em quatro veículos blindados no início da tarde desta terça-feira (05) para proteger os funcionários das Nações Unidas e os civis que se refugiram nas instalações da Organização. Desde o aumento da violência nesta segunda-feira (04), dezenas de trabalhadores humanitários se refugiaram dentro do complexo principal do Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR).

“Tais crimes colocam a operação humanitária em Maban em risco, colocando em risco também a vida de dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças que contam com organizações de ajuda humanitária para a sua sobrevivência”, disse o coordenador humanitário da ONU no Sudão do Sul, Toby Lanzer, que pediu para que as milícias respeitem a inviolabilidade das instalações da Organização.

Além do seu próprio pessoal, a ONU protege mais de 127 mil refugiados sul-sudaneses nesta região, que se encontram em uma situação bastante vulnerável dado que dependem da assistência e serviços prestados por trabalhadores de ajuda humanitária. Enquanto isso, representantes dos dois lados rivais se encontram na capital da Etiópia até o dia 10 de agosto para discutir as negociações sobre o estabelecimento de um governo de transição.