Sudão do Sul: ONU alerta para aumento da violência e piora das condições humanitárias

Chefe da ONU disse estar preocupado com aumento da violência entre grupos armados e pede que questões políticas sejam resolvidas por meio dos diálogos em andamento. Piora das condições em alguns locais aumenta vulnerabilidade alimentar e coloca civis em risco, alertou o Programa Mundial de Alimentos.

Desafios enfrentados pelos sul-sudaneses incluem colheitas ruins, aumento dos preços, o conflito e o deslocamento. Foto: ONU/Isaac Billy

Desafios enfrentados pelos sul-sudaneses incluem colheitas ruins, aumento dos preços, o conflito e o deslocamento. Foto: ONU/Isaac Billy

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que está profundamente preocupado com a atual escalada de violência entre o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA) e grupos armados na cidade de Wau e áreas adjacentes, no Sudão do Sul.

“O secretário-geral apela a todas as forças que lutam para que suspendam imediatamente as hostilidades, fornecem acesso à Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) e cooperem com parceiros humanitários para facilitar a entrega de assistência. Ele insta todas as partes a concordar com o diálogo para resolver suas disputas políticas”, disse um comunicado do escritório do porta-voz de Ban Ki-moon.

Lamentando a perda relatada de vidas, o secretário-geral elogiou a UNMISS e a Equipe Nacional Humanitária pela tomada de “medidas pró-ativas para proteger civis em fuga” próximo de sua base em Wau.

A UNMISS está em processo de implantação de recursos adicionais para que a área tenha capacidade de lidar com possíveis contingências, de acordo com o comunicado.

Apesar de alguns progressos políticos no país, disse uma agência humanitária da ONU, a situação alimentar e nutricional em deterioração, o declínio econômico e a violência esporádica continuam a impactar significativamente as necessidades humanitárias no país.

Em uma atualização sobre o impacto regional da crise no Sudão do Sul, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) destacou que os relatórios indicam que ataques de grupos armados na cidade de Raja no dia 15 de junho resultaram em morte, destruição de propriedade e deslocamentos.

Além disso, confrontos entre as forças governamentais e um grupo armado foram relatados na cidade de Leer, no estado de Unity.

“As condições econômicas em deterioração, juntamente com o aumento dos preços dos produtos essenciais, está contribuindo para o aumento da criminalidade na maior parte do país”, afirmou o PMA na atualização.

No Sudão e em Uganda, a taxa de novas chegadas diminuiu em comparação com meses anteriores, de acordo com a atualização. No Sudão do Sul, no entanto, os combates continuam a preocupar.

“O declínio econômico e a inflação alta, combinados com as colheitas e os meios de subsistência interrompidos, continuam a piorar a situação de segurança alimentar”, disse a agência da ONU, observando as situações mais críticas foram verificadas em Equatoria Oriental, Bahr el Ghazal do Norte e Bahr el Ghazal Ocidental.

ONU investiga incidente de violência em local de proteção de civis envolvendo forças de paz

Na semana passada (22), as Nações Unidas anunciaram que estão considerando “seriamente” os resultados de uma investigação sobre a resposta de alguns membros das forças de paz da ONU a um incidente em um complexo da ONU no país que deixou pelo menos 30 pessoas mortas e outras 123 feridas. Os incidentes ocorreram em Malakal.

“Nós levamos muito a sério o fato de a Comissão de Inquérito apontar para uma resposta inadequada por parte de alguns membros das forças de paz no terreno; houve uma falta de capacidade de resposta de alguns e falta de entendimento sobre as regras de engajamento”, disse Hervé Ladsous, subsecretário-geral da ONU para as Operações de Manutenção da Paz, a repórteres após o que ele descreveu como uma consulta “muito extensiva” a portas fechadas com os membros do Conselho de Segurança da ONU.

Ao lado de Atul Khare, subsecretário-geral da ONU de Suporte de Campo, e de Stephen O’Brien, subsecretário-geral da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ladsous informou o Conselho de 15 membros o estado dos chamados ‘locais de proteção de civis’, que estão funcionando nos últimos dois anos no Sudão do Sul e já protegeram milhares de pessoas durante alguns dos piores momentos do conflito no país.

Em sua última atualização, a missão da ONU no país – a UNMISS – estima que o número de civis em busca de segurança em seis locais deste tipo localizados em suas bases é de 158.727, incluindo 95.126 em Bentiu, 32.719 em Malakal, 27.959 em Juba, 2.004 em Bor, 700 em Melut e 219 em Wau.