Sudão do Sul: ONU pede que negociações de paz acabem definitivamente com conflito étnico

Crescem evidências de graves violações dos direitos humanos no país. Após o que o Governo classificou como tentativa de golpe de Estado, em 15 de dezembro, milhares de pessoas foram mortas.

Civis em complexo da ONU na periferia de Juba, capital do Sudão do Sul. Foto: ONU/Julio Brathwaite

Em meio às negociações de paz entre o Governo e os rebeldes, a chefe da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS), Hilde Johnson, pediu nesta quarta-feira (1) que ambos os lados se esforcem para acabar definitivamente com a violência.

Representantes do presidente Salva Kiir, do grupo étnico Dinka, e do ex-vice-presidente do país Riek Machar, do Lou Nuer, se reuniram na quarta-feira na capital etíope, Addis Abeba, para discutir o fim das hostilidades no Sudão do Sul, a abertura para a ajuda humanitária, a questão dos presos políticos e a proteção de civis.

Segundo Johnson, as negociações na Etiópia devem ser acompanhadas de um processo mais profundo que incida sobre a reconciliação nacional e a reconciliação entre as comunidades que ainda sofrem as consequências da independência do Sudão em 2011, após décadas de guerra civil.

Novos combates começaram no país em 15 de dezembro, quando o presidente Kiir disse que os soldados leais a Machar, demitido do cargo em julho, lançaram uma tentativa de golpe.

Estima-se que milhares de pessoas morreram nos confrontos e 194 mil foram expulsas de suas casas, sendo que cerca de 57 mil delas estão abrigadas em dez bases da UNMISS. Agentes humanitários já ajudaram 107 mil deslocados.

Diante da situação, o Conselho de Segurança da ONU autorizou a missão a quase dobrar sua força armada para cerca de 14 mil capacetes-azuis em um esforço para proteger os civis. Militares e policiais de outras missões da ONU na região estão sendo deslocados para suprir esta necessidade emergencial, a partir de negociações com os Estados onde elas estão estabelecidas e com os Estados contribuintes.

A UNMISS afirmou estar preocupada com evidências crescentes de abusos graves dos direitos humanos no país, incluindo execuções extrajudiciais de civis e soldados capturados, deslocamentos maciços e detenções arbitrárias, muitas vezes com conotações étnicas. A missão citou a descoberta de um grande número de corpos na capital Juba e nas capitais dos estados do Alto Nilo e de Jonglei, Malakal e Bor, respectivamente.

A ONU tem investigado todas as denúncias de violações graves dos direitos humanos no país através do recolhimento de informações e depoimentos de testemunhas.

Enquanto isso, agências da Organização e parceiros humanitários, apoiados por capacetes-azuis que trabalham para proteger os acampamentos, estão trabalhando para oferecer água, abrigo, comida e outras medidas de emergência às famílias.

As agências de ajuda humanitária precisam de 166 milhões de dólares até março para responder às necessidades emergenciais dos sul-sudaneses.