Insegurança e saques generalizados de recursos humanitários impediam aproximação. Agentes aproveitaram relativa calma após acordo de cessar-fogo para distribuir suprimentos por via aérea.

Vista das ruas desertas em Malakal, Sudão do Sul. Foto: ONU/Isaac Billy
As Nações Unidas conseguiram chegar pela primeira vez até um grupo de 10 mil pessoas deslocadas que estão fora de sua base em Malakal, no Sudão do Sul – dentro da instalação já são atendidos 28 mil civis. A cidade apresenta um dos cenários mais violentos do conflito entre as forças do governo e da oposição.
Até agora, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) e outras agências não haviam conseguido chegar a essas pessoas por causa da insegurança e de saques generalizados de recursos humanitários na cidade, explicou na quinta-feira (6) a porta-voz do ACNUR Fatoumata Lejeune-Kaba.
Segundo ela, a agência aproveitou a relativa calma que a assinatura de um acordo de cessar-fogo, no mês passado, trouxe ao país para entregar, por via área, lonas plásticas, galões, baldes, utensílios de cozinha, mosquiteiros, colchões e cobertores a mais de 3 mil pessoas. O ACNUR espera alcançar as outras 7 mil pessoas até o fim da semana que vem.
Desde dezembro, quando começaram os conflitos entre forças leais do presidente Salva Kiir e militares apoiadores do ex-vice-presidente Riek Machar, milhares de pessoas morreram. Os deslocados internos já somam 743,4 mil e outras 130,4 mil fugiram para países vizinhos em busca de refúgio. Há 85,2 mil sul-sudaneses abrigados em bases da ONU no país.
Malakal, a 600 km da capital, Juba, fica no estado do Alto Nilo, a segunda maior concentração de pessoas deslocadas: 153 mil.
“Alguns dos deslocados disseram à nossa equipe de emergência que a situação de segurança em seus vilarejos continua tensa e que não podiam trabalhar ou sobreviver nesse tipo de ambiente”, relatou a porta-voz.
O ACNUR está distribuindo itens de ajuda em parceria com outras agências da ONU e agências humanitárias, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Organização Internacional para as Migrações e a ONG Visão Mundial.