Sudão e Sudão do Sul descumprem acordo sobre retirada de tropas em área sob disputa

Acordo firmado entre as partes previa a retirada de todas as forças armadas até o último dia 30 de setembro.

Subsecretário-Geral para Operações de Paz, Hervé Ladsous

Nem o Sudão e nem o mais novo país membro das Nações Unidas, o Sudão do Sul, cumpriram as promessas de retirar as tropas de Abyei, região de fronteira em disputa. De acordo com as Nações Unidas, com o início da temporada de plantio, época das migrações de fazendeiros e pastores, a permanência das tropas representa uma séria ameaça para as relações dos dois países.

“As partes devem, portanto, redobrar os seus compromissos de retirar suas forças armadas, estabelecer a administração conjunta e permitir a retomada dos esforços pela reconciliação em Abyei”, disse o Subsecretário-Geral para Operações de Paz, Hervé Ladsous, acrescentando que a retirada é essencial para facilitar o regresso dos deslocados e criar condições para uma migração pacífica entre os agricultores.

Com base em um acordo firmado em junho deste ano e posteriormente revisto, todas as forças armadas deveriam ter sido retiradas até o último dia 30 de setembro. Somente os cerca de 4 mil soldados e policiais da Força de Segurança Provisória das Nações Unidas para Abyei (UNISFA) estão autorizados a manter a presença militar.

“Por mais que a missão (de paz) se esforce, não poderá compensar o urgente progresso necessário no âmbito político”. A UNISFA foi criada em junho deste ano, após o início da violência na região de fronteira. A disputa foi responsável pela fuga de cerca de 110 mil pessoas.