Sudão: Especialista da ONU alerta sobre violação de direitos humanos em Darfur, Nilo Azul e Kordofan

Estados sudaneses ainda sofrem com os conflitos entre rebeldes e governo. Mais de 4 milhões de pessoas precisam de assistência no país.

Relator especial sobre a situação de direitos humanos no Sudão, Mashood Adebayo Baderin. Foto: ONU /Albert González Farran

Relator especial sobre a situação de direitos humanos no Sudão, Mashood Adebayo Baderin. Foto: ONU /Albert González Farran

O progresso na implementação dos direitos humanos obtido pelo Sudão ainda não é suficiente, principalmente nos estados de Darfur, Nilo Azul e Kordofan, afirmou o relator especial sobre a situação de direitos humanos no Sudão, Mashood Adebayo Baderin. Esses territórios ainda são atormentados por confrontos e hostilidades.

Baderin esteve pela terceira vez no país e reconheceu os esforços do governo para cumprir as obrigações internacionais de direitos humanos. Ele, porém, ressaltou que os maiores desafios ainda precisam ser resolvidos.

O escritório de direitos humanos da ONU (ACNUDH) lançou um comunicado à imprensa na sexta-feira (21) em que Baderin pede à comunidade internacional assistência técnica e capacitação para as autoridades sudanesas.

Ele também destacou o aumento dos conflitos entre tribos e entre rebeldes e forças do governo resultam em um clima de insegurança e deslocamento forçado das pessoas que moram no estado de Darfur.

“O efeito de todos esses conflitos no sul de Darfur é o aumento do número de deslocados internos que estão chegando nos acampamentos, incluindo novas 4.500 pessoas no campo de Otash somente no último mês e meio”, disse o especialista.

Ao visitar o acampamento, Baderin observou as terríveis condições de vida, especialmente para mulheres e crianças. De acordo com ele, “as tendas são insuficientes e a maioria dos recém-chegados têm recorrido ao uso de material local para a construção de abrigos. Eles precisam de ajuda imediata para que se evite um desastre humanitário devido ao período de chuvas que se aproxima”.

No comunicado, Baderin condenou as violações dos direitos humanos cometidos no sul de Kordofan, citando o bombardeio da sexta-feira (14) a uma base da ONU na capital do estado, Kadugli. Um soldado etíope da força de paz da organização morreu e mais dois ficaram feridos.

Ao falar sobre o estado do Nilo Azul, ele observou desenvolvimentos positivos, incluindo a melhoria significativa no acesso humanitário nas áreas controladas pelo governo. Porém, manifestou preocupação com os civis presos em regiões controladas pelos rebeldes.

Baderin deve apresentar suas conclusões e recomendações ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro desse ano.

Um dia antes do ACNUDH lançar o comunicado, a coordenadora de ajuda de emergência da ONU, Valerie Amos, se reuniu com o Conselho de Segurança da organização na quinta-feira (20) e chamou a atenção para a situação no Sudão, onde 4,4 milhões de pessoas precisam de assistência.

Segundo Amos, só no ano passado cerca de 300 mil pessoas fugiram dos combates em Darfur, Kordofan e Nilo Azul.