Sudão: ONU alerta para iminente crise alimentar nos estados do Nilo Azul e no sul de Kordofan

Os últimos combates combinados com um período de chuva irregular prejudicaram a colheita do último mês.

Assistência alimentar do PMA sendo descarregado de um caminhão em um local de distribuição na capital de Kordofan, Kadugli.A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) convocou uma ação urgente para arrecadar financiamentos buscando prevenir uma iminente crise alimentar nos estados do Nilo Azul e no sul de Kordofan, no Sudão, onde os últimos combates combinados com um período de chuva irregular prejudicaram a colheita do último mês.

Essas duas regiões no Sudão vêm sendo palco de combates nas última semanas que desalojaram dezenas de milhares de pessoas. Funcionários da ONU chamaram todas as partes envolvidas a cessarem as hostilidades para assegurar o acesso dos trabalhadores humanitários àqueles que precisam de ajuda.

A FAO relatou que no mínimo 235 mil pessoas nos dois estados passam por problemas alimentares e que não há previsão para uma melhora na disponibilidade de alimentos após novos combates entre as tropas do governo sudanês e o Movimento de Libertação do Povo do Sudão (SPLM-N). Estes combates interromperam o ciclo de coleita das duas principais áreas produtoras: no sul do Kordofan as pessoas fugiram no início da época de plantio impossibilitando o processo de semeação, enquanto no Nilo Azul as sementes foram plantadas no período certo mas a população abandonou suas colheitas quando se viram forçadas a sair devido as guerras locais.

Além disso, devido ao baixo estoque de alimentos, os preços continuam subindo progressivamente e a migração sazonal do gado foi prejudicada levando a uma concentração dos rebanhos ao longo de pequenas áreas das fronteiras. “ Isso está causando superlotação e pode levar a surtos de doenças animais” disse a Chefe do Serviço de Operações de Emergência da FAO, Cristina Amaral. “As tensões entre agricultores e pastores nômades sobre o acesso à água e à terra também podem se exacerbar.” Um pequeno grupo de funcionários da FAO está na região e vêm dando suporte emergencial distribuindo sementes e ferramentas para 20.000 famílias vulneráveis em algumas áreas mais calmas.