Sudão: ONU e União Africana condenam ataques a acampamento Darfur do Norte

Desde o início de 2016, o aumento das hostilidades entre as Forças Armadas do Sudão e um grupo rebelde da região fez com que dezenas de milhares de pessoas fugissem de suas casas para outras áreas na região de Darfur. Guerra civil teve início em 2003, deixando mais de 2 milhões de pessoas deslocadas internamente e outras 200 mil mortas.

Refugiados em Sortoni, Darfur do Norte. Foto: UNAMID

Refugiados em Sortoni, Darfur do Norte. Foto: UNAMID

O presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenaram os ataques de semana passada (9) realizados por grupos armados em Sortoni, em Darfur do Norte, no Sudão. Os alvos foram um acampamento para refugiados e um mercado local.

“Os ataques resultaram na morte de cinco pessoas, sendo duas crianças, e no ferimento de vários indivíduos, incluindo um etíope servindo na Missão das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID)”, disse o comunicado emitido pelo porta-voz de Ban.

Os dois ainda manifestaram a sua profunda preocupação com o recente aumento de tensões entre pessoas deslocadas e membros de grupos armados na área, e pediram às autoridades sudanesas para investigar os casos e, prontamente, encaminhar os autores dos ataques à justiça.

Para os dirigentes, a continuidade das atividades da UNAMID é um imperativo para a manutenção da segurança e para a proteção dos civis em todo Darfur.

Desde o início de 2016, o aumento das hostilidades entre as Forças Armadas do Sudão e o Exército de Libertação do Sudão (ELS)/Abdul Wahid, um dos numerosos grupos rebeldes que têm lutado contra as forças do governo, fez com que dezenas de milhares de pessoas fugissem de suas casas para outras áreas na região de Darfur, incluindo Sortoni.

De acordo com a coordenadora residente e chefe humanitária da ONU no Sudão, Marta Ruedas, 33 profissionais de ajuda sudaneses de cinco organizações nacionais e internacionais estão, em Sortoni, dando assistência emergencial aos habitantes da região.

Missão da ONU e da União Africana em Darfur Ocidental faz campanha contra o uso de crianças-soldado

A Missão das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID) lançou uma campanha em Darfur Ocidental, no Sudão, para prevenir o recrutamento e o uso de crianças-soldado pelas forças armadas e por grupos de toda a região.

Em comunicado, a UNAMID disse que a campanha – cujo tema é “Nenhuma Criança-soldado – Proteja Darfur” – foi lançada pela Unidade de Proteção de Crianças da UNAMID em Darfur Ocidental e reuniu mais de 90 participantes, incluindo mulheres, jovens, crianças e líderes comunitários locais.

Acampamento para refugiados em Geneina, em Darfur Ocidental. Foto: UNAMID

Acampamento para refugiados em Geneina, em Darfur Ocidental. Foto: UNAMID

A UNAMID solicitou aos refugiados que desencorajem as crianças menores de 18 anos a se alistar nas forças do governo ou nos grupos armados, e recomendou que eles comuniquem quaisquer formas de abuso ou violações dos direitos da criança aos oficiais de proteção e às autoridades locais.

Segundo Paul Bugunya, líder da Unidade de Proteção de Crianças da UNAMID em Darfur Ocidental, a campanha, que está alinhada à missão de proteger os civis na região, também tem o objetivo de garantir às crianças a possibilidade de elas crescerem e frequentarem a escola.

A UNAMID tem a intenção de lançar a campanha em toda a região nos próximos meses.

Entenda o conflito e a atuação da ONU em Darfur, região do Sudão

A guerra civil em Darfur teve início em 2003 entre o governo do Sudão e suas milícias aliadas, e outros grupos rebeldes armados. Particularmente durante os dois primeiros anos do conflito, dezenas – se não centenas de milhares – de pessoas foram mortas. A luta ainda em curso se dá entre o governo e movimentos espalhados. No total, cerca de 2 milhões de pessoas estão deslocadas internamente e pelo menos 200 mil morreram, desde 2003.

Neste mesmo ano, as Nações Unidas alertaram pela primeira vez sobre a crise em Darfur. Desde então, a busca de uma solução duradoura tem sido uma das prioridades do Conselho de Segurança da Organização, bem como dos dois últimos secretários-gerais. O longo processo de paz incluiu um acordo assinado em 5 de maio de 2006 – o Acordo de Paz de Darfur –, sob os auspícios da União Africana e com o apoio das Nações Unidas e outros parceiros.

Em 2006, a União Africana implantou uma missão de paz para o Sudão, que foi substituída em 2008 por uma missão conjunta inédita entre a União Africana e as Nações Unidas em Darfur, a UNAMID, atualmente a maior missão de paz no mundo em atuação. O mandato da UNAMID foi ampliado desde então em diversas ocasiões.

A UNAMID tem a proteção de civis como base de seu mandato, mas também tem a tarefa de contribuir para a segurança da assistência humanitária, controlar e verificar a execução dos acordos, auxiliar em um processo político inclusivo, contribuir para a promoção dos direitos humanos e do Estado de Direito e monitoramento e relatórios sobre a situação ao longo das fronteiras com o Chade e com a República Centro-Africana.

A sede da Missão está em El Fasher, capital de Darfur do Norte, com mais locais de implantação ao longo dos três estados de Darfur. A Missão realiza uma média de mais de 200 patrulhas por dia. O objetivo é fazer tudo ao seu alcance para proteger os civis em Darfur, facilitar a operação de ajuda humanitária a todas as áreas, independentemente de quem os controla, e ajudar a fornecer um ambiente no qual a paz possa criar raízes.