Surgem sete novas alegações de abusos e exploração sexual envolvendo tropas da ONU na RCA

A Missão da ONU na República Centro-Africana enviou um especialista para verificar os fatos em Bambari, uma cidade perto do centro do país. O perito afirmou que há evidências suficientes que demonstram que, entre as vítimas, cinco menores sofreram abuso e um adulto foi sexualmente explorado. A sétima vítima não pôde encontrar-se com o perito.

Soldados da missão de paz no país são acusados de terem abusado sexualmente de crianças. Foto: MINUSCA

Soldados da missão de paz no país são acusados de terem abusado sexualmente de crianças. Foto: MINUSCA

A Missão da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA) revelou nesta quinta-feira (4) a identificação de sete possíveis novas vítimas de explorações sexuais no município de Bambari, alguns dias após a ONU ter revelado o nome dos países cujas tropas estiveram envolvidas em outros abusos de menores.

A MINUSCA tomou conhecimento dos casos no dia 21 de janeiro por meio de observadores da organização Human Rights Watch. Na ocasião, seus integrantes pediram à missão para garantir o atendimento médico e psicossocial às vítimas, bem como a responsabilização dos autores.

Após receber as alegações, a MINUSCA enviou um especialista do Escritório da ONU para Serviços de Vigilância Interna (OIOS, na sigla em inglês) para verificar os fatos em Bambari, uma cidade perto do centro do país. O perito afirmou que há evidências suficientes que demonstram que, entre as vítimas, cinco menores sofreram abuso e um adulto foi sexualmente explorado.

O especialista não pôde encontrar-se com a sétima vítima, possivelmente também menor de idade. Uma das denúncias informadas pelo Human Rights Watch já tinha sido registrada e se encontra agora sob investigação.

Os soldados implicados nos casos são da República do Congo e da República Democrática do Congo. Os governos de ambos os países foram notificados para que investiguem essas acusações. As autoridades da República Centro-Africana também foram informadas.

“Diante da gravidade dessas alegações e dada à informação coletada através da verificação inicial, as Nações Unidas decidiram tomar medidas imediatas, incluindo a repatriação de 120 soldados da República do Congo que foram enviados a Bambari entre 17 de setembro e 14 de dezembro de 2015”, anunciou a Missão, observando que esta repatriação ocorrerá depois da finalização da investigação. Enquanto isso, os soldados ficarão confinados em suas bases.

O representante especial do secretário-geral e chefe da MINUSCA, Parfait Onanga-Anyanga, viajou nesta quinta-feira (4) para Bambari acompanhado de uma delegação com outros representantes da ONU.

Ele expressou “ultraje e vergonha”, lembrando às tropas que “o abuso sexual e exploração são uma séria infração dos regulamentos da ONU e violação dos direitos humanos; um crime duplo que afeta as mulheres e crianças vulneráveis, tendo vocês sido enviados aqui para protegê-las”.

No final de sua visita a Bambari, Onanga-Anyanga disse aos meios de comunicação presentes que a MINUSCA se encontra em “modo de combate” e explicou que “ele não irá descansar até que estes atos hediondos sejam descobertos, agressores punidos e incidentes encerrados”. Ele também agradeceu os parceiros pelo seu importante papel em informar sobre as denúncias e o cuidado com as vítimas. “Nunca venceremos esta luta se não trabalharmos juntos”, concluiu.