Gripe aviária causou a morte de dezenas de milhões de aves domésticas desde que o primeiro vírus se espalhou internacionalmente em 2013. Seis países da África Central e Ocidental já lutam contra a doença. Só no Camarões, prejuízos já chegaram a cerca de 20 milhões de dólares.

Pela primeira vez desde 2006, o vírus da gripe aviária H5N1 foi encontrado no Camarões, aumentando para seis o número de países da África Central e Ocidental que lutam contra o vírus. Foto: FAO / Isaac Kasamani
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) informou na quarta-feira (14) que os países da África Ocidental e Central estão em alerta após um surto da gripe aviária H5N1 ter sido recentemente confirmado em criadouros de aves em Camarões.
De acordo com a agência da ONU, a gripe aviária causou a morte de dezenas de milhões de aves domésticas e perdas de dezenas de bilhões de dólares em todo o mundo desde que o primeiro vírus se espalhou internacionalmente em 2013.
Só no Camarões, as perdas já somaram cerca de 20 milhões de dólares — o mesmo montante que a FAO está pedindo a doadores para financiar sua resposta regional à doença.
O organismo internacional fez um apelo aos governos de países vizinhos à nação africana para que continuem com seus esforços de vigilância e prevenção da doença.
“Nós estamos vendo uma doença que está rapidamente se espalhando e que tem efeitos devastadores sobre os meios de subsistência nas comunidades”, disse o vice-representante regional da FAO para a África, Abebe Haile Gabriel.
“O H5N1 provoca grandes perdas de alimentos nutritivos e ameaça a subsistência dos agricultores, especialmente em ambientes com poucos recursos, onde os governos têm dificuldade em fazer compensações financeiras para as perdas”, acrescentou.
O recente surto nos Camarões aumentou para seis o número de países na África Central e Ocidental que lutam contra a doença na África Ocidental e Central, incluindo Burquina Faso, Costa do Marfim, Gana, Níger e Nigéria.
A agência da ONU ainda manifestou preocupação com a possibilidade de a enfermidade se tornar endêmica em toda a região, particularmente na Nigéria, onde a gripe aviária tornou-se tão enraizada em sistemas de produção de aves e mercados que será difícil de eliminá-la.
Como parte do esforço de prevenção, a FAO solicitou aos governos da região que partilhem mensagens e dados comuns entre os setores de saúde pública e agricultura.
Além disso, segundo a organismo internacional, produtores e comerciantes precisam estar cientes sobre os sinais clínicos dos sintomas da doença e saber como e para quem informá-los. É necessário também implementar boas práticas de higiene para conter a propagação do vírus.
Em resposta ao surto, a agência da ONU está trabalhando em conjunto com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e com a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), oferecendo assistência através de avaliações de risco, planos de contingência, assessoria técnica e disponibilizando materiais de laboratório.
As agências também atuam investigando possíveis casos de gripe aviária em animais e seres humanos e localizando a fonte de infecção.
Em Camarões, a FAO está fortalecendo a capacidade dos serviços veterinários locais para responder rapidamente a novos surtos, além de trabalhar com o governo para finalizar um plano de ação semelhante às estratégias aplicadas em outros países atingidos pelo vírus.
A FAO ainda ressaltou que vai continuar apoiando os governos na mobilização de fundos para combater o H5N1.