Temer pede reforma do Conselho de Segurança e defende fim de protecionismo no comércio mundial

Em pronunciamento que abriu os discursos de chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU, Michel Temer também reafirmou apoio do Brasil ao Acordo de Paris contra as mudanças climáticas e criticou racismo e xenofobia, que aumentam em meio à atual crise de refugiados. Sobre impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, disse que processo “transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional”.

Michel Temer abriu pronunciamentos de chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU / Cia Pak

Michel Temer abriu pronunciamentos de chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU / Cia Pak

Abrindo os pronunciamentos de chefes de Estado no debate da Assembleia Geral da ONU, o presidente do Brasil, Michel Temer, pediu nesta terça-feira (20) a reforma do Conselho de Segurança e o fim do protecionismo no comércio internacional. Mudanças climáticas e terrorismo também foram destaques do discurso.

Temer defendeu que “as Nações Unidas não podem resumir-se a um posto de observação e condenação dos flagelos mundiais”. Segundo o presidente, o organismo “deve afirmar-se como fonte de soluções efetivas” e prezar pela representatividade de seus integrantes.

“Há que reformar o Conselho de Segurança da ONU. Continuaremos a colaborar para a superação do impasse em torno desse tema”, disse o chefe do Estado brasileiro.

Reafirmando o compromisso do Brasil com o Acordo de Paris, o presidente comunicou que vai depositar o instrumento de ratificação do tratado na quarta-feira (20) junto à ONU. “A prosperidade e o bem-estar no presente não podem penhorar o futuro da humanidade”, alertou Temer.

“Mais do que possível, é necessário crescer de forma socialmente equilibrada com respeito ao meio ambiente”, enfatizou o presidente, que lembrou que o Brasil é o país mais biodiverso do mundo e detentor de uma das matrizes energéticas mais limpas.

Sobre o tema do crescimento econômico, Temer criticou medidas protecionistas no comércio global, descritas pelo presidente como “uma perversa barreira ao desenvolvimento”. O protecionismo “subtrai postos de trabalho e faz de homens, mulheres e famílias de todo Brasil, vítimas do emprego e da desesperança igualmente no mundo”, ressaltou.

O chefe de Estado enfatizou a necessidade de pôr fim ao protecionismo agrícola, recorrendo a instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

“É urgente impedir que medidas sanitárias e fitossanitárias continuem a ser utilizadas para fins protecionistas. É urgente disciplinar subsídios e outras políticas distorcivas de apoio doméstico no setor agrícola”, destacou.

A respeito da atual crise de refugiados e dos diferentes ameaças que assolam o planeta, Temer disse que “uma quase paralisia política leva a guerras que se prolongam sem solução”, entre elas, a guerra da Síria. “Os semeadores de conflitos reinventaram-se. As instituições multilaterais, não”, disse.

Criticando o que chamou de exacerbamento dos nacionalismos, o presidente afirmou que o “Brasil é obra de imigrantes, homens e mulheres de todos os continentes”. “Repudiamos todas as formas de racismo, xenofobia e outras manifestações de intolerância”, acrescentou.

O chefe de Estado falou ainda sobre o conflito israelo-palestino e reiterou o apoio do Brasil à solução de dois Estados “em convivência pacífica dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas”.

Apesar dos desafios no cenário internacional, Temer chamou atenção para desdobramentos positivos, como o acordo de paz firmado entre a Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP), o acordo nuclear no Irã e o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos.

“Desejamos que o reatamento seja seguido do fim do embargo econômico que pesa sobre Cuba”, comentou o presidente.

Sobre o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, Temer disse que a destituição foi fruto de “processo longo e complexo, regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira”. Segundo ele, “tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional”.