Em pronunciamento que abriu os discursos de chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU, Michel Temer também reafirmou apoio do Brasil ao Acordo de Paris contra as mudanças climáticas e criticou racismo e xenofobia, que aumentam em meio à atual crise de refugiados. Sobre impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, disse que processo “transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional”.

Michel Temer abriu pronunciamentos de chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU / Cia Pak
Abrindo os pronunciamentos de chefes de Estado no debate da Assembleia Geral da ONU, o presidente do Brasil, Michel Temer, pediu nesta terça-feira (20) a reforma do Conselho de Segurança e o fim do protecionismo no comércio internacional. Mudanças climáticas e terrorismo também foram destaques do discurso.
Temer defendeu que “as Nações Unidas não podem resumir-se a um posto de observação e condenação dos flagelos mundiais”. Segundo o presidente, o organismo “deve afirmar-se como fonte de soluções efetivas” e prezar pela representatividade de seus integrantes.
“Há que reformar o Conselho de Segurança da ONU. Continuaremos a colaborar para a superação do impasse em torno desse tema”, disse o chefe do Estado brasileiro.
Temer: Brasil quer p/ mundo o mesmo q p/ seu povo: paz, desenvolvimento sustentável e respeito aos Direitos Humanos https://t.co/yZxxE6zdqy pic.twitter.com/iw5LSjVFpC
— Palácio do Planalto (@Planalto) 20 de setembro de 2016
Reafirmando o compromisso do Brasil com o Acordo de Paris, o presidente comunicou que vai depositar o instrumento de ratificação do tratado na quarta-feira (20) junto à ONU. “A prosperidade e o bem-estar no presente não podem penhorar o futuro da humanidade”, alertou Temer.
“Mais do que possível, é necessário crescer de forma socialmente equilibrada com respeito ao meio ambiente”, enfatizou o presidente, que lembrou que o Brasil é o país mais biodiverso do mundo e detentor de uma das matrizes energéticas mais limpas.
Sobre o tema do crescimento econômico, Temer criticou medidas protecionistas no comércio global, descritas pelo presidente como “uma perversa barreira ao desenvolvimento”. O protecionismo “subtrai postos de trabalho e faz de homens, mulheres e famílias de todo Brasil, vítimas do emprego e da desesperança igualmente no mundo”, ressaltou.
O chefe de Estado enfatizou a necessidade de pôr fim ao protecionismo agrícola, recorrendo a instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
“É urgente impedir que medidas sanitárias e fitossanitárias continuem a ser utilizadas para fins protecionistas. É urgente disciplinar subsídios e outras políticas distorcivas de apoio doméstico no setor agrícola”, destacou.
Presidente @MichelTemer e secretário-geral das Nações Unidas (@UN), Ban Ki-moon, durante encontro nesta terça (20). #BrasilNaONU pic.twitter.com/4dGxfnwfFR
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A respeito da atual crise de refugiados e dos diferentes ameaças que assolam o planeta, Temer disse que “uma quase paralisia política leva a guerras que se prolongam sem solução”, entre elas, a guerra da Síria. “Os semeadores de conflitos reinventaram-se. As instituições multilaterais, não”, disse.
Criticando o que chamou de exacerbamento dos nacionalismos, o presidente afirmou que o “Brasil é obra de imigrantes, homens e mulheres de todos os continentes”. “Repudiamos todas as formas de racismo, xenofobia e outras manifestações de intolerância”, acrescentou.
O chefe de Estado falou ainda sobre o conflito israelo-palestino e reiterou o apoio do Brasil à solução de dois Estados “em convivência pacífica dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas”.
Apesar dos desafios no cenário internacional, Temer chamou atenção para desdobramentos positivos, como o acordo de paz firmado entre a Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP), o acordo nuclear no Irã e o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos.
“Desejamos que o reatamento seja seguido do fim do embargo econômico que pesa sobre Cuba”, comentou o presidente.
Sobre o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, Temer disse que a destituição foi fruto de “processo longo e complexo, regrado e conduzido pelo Congresso Nacional e pela Suprema Corte brasileira”. Segundo ele, “tudo transcorreu dentro do mais absoluto respeito à ordem constitucional”.