Falando ao Conselho de Segurança, Stephen O’Brien observou que, apesar da intensificação dos combates, a ONU continua intensificando a assistência às pessoas necessitadas – “ainda que com grande risco pessoal”. Ele criticou “restrições desnecessárias e inaceitáveis” para o acesso humanitário, que “estão custando a vida das pessoas”, alertando que a ajuda humanitária “só pode tratar os sintomas, não as causas”.

De 21 a 24 de fevereiro, a UNRWA conseguiu distribuir 19.160 cobertores térmicos para cerca de 5.700 refugiados palestinos e outras famílias civis das comunidades sírias sitiadas ou em áreas remotas em Yarmouk, Yalda, Babila e Beit Saham. Foto: UNRWA
Classificando o recente anúncio de uma cessação das hostilidades na Síria como um “sinal muito aguardado de esperança”, o chefe humanitário das Nações Unidas ecoou nesta quarta-feira (24) os apelos do organismo mundial e da comunidade internacional em geral para que as partes trabalhem por um cessar-fogo mais duradouro e facilitem as condições para maior proteção e ajuda humanitária.
“Chega. Esta brutalidade tem que terminar”, disse o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários e Coordenação da Ajuda de Emergência, Stephen O’Brien, ao Conselho de Segurança da ONU durante um informe sobre a situação na Síria, na sede da ONU em Nova York.
“No conflito sírio, não há vencedores; todo mundo está perdendo. Mas o preço mais alto é pago pelos homens, mulheres e crianças sírios que são testemunhas do seu país, suas casas e suas famílias sendo dilacerados”, disse O’Brien.
“Esta guerra tem que acabar. Por muito que possamos tentar, a prestação de assistência humanitária só pode tratar os sintomas, não as causas. A comunidade internacional e as partes envolvidas no conflito deve aproveitar a dinâmica criada em torno da cessação das hostilidades em todo o país para trazer uma solução política para a crise. Eu não posso enfatizar o suficiente o fato de que não devemos deixar passar esta oportunidade. Não podemos tirar esse lampejo de esperança das pessoas que mais precisam”, acrescentou.
“É difícil acreditar que este conflito possa ser resolvido enquanto continue a haver uma completa ausência de proteção dos civis. O acordo sobre a cessação das hostilidades deve finalmente e inequivocamente produzir o que as resoluções deste Conselho e os princípios básicos e obrigações do direito internacional não puderam alcançar até agora: um fim imediato de todos os ataques direcionados ou indiscriminados contra civis e infraestruturas civis, e uma maior proteção dos civis”, acrescentou.
O’Brien lamentou que o mês de março marque o “triste aniversário” do conflito que atravessa a Síria há mais de cinco anos.

Comboio humanitário a caminho da cidade síria sitiada de Madaya. Foto: OCHA Síria
“Tem sido um período implacável de violência e destruição. O povo sírio tem visto seu país dilacerado, entes queridos mortos ou feridos e milhões de pessoas deslocadas, seja dentro do país ou na região e além”, disse ele. “Eles sofreram demais e por muito tempo.”
Atualizando o Conselho de Segurança sobre o acesso humanitário, O’Brien observou que, apesar da intensificação dos combates, a ONU continua intensificando a assistência às pessoas necessitadas – “ainda que com grande risco pessoal”.
Comboios humanitários
Desde 17 de fevereiro, comboios da ONU e do Crescente Vermelho Árabe Sírio estão conseguindo fornecer ajuda a Madaya, com 62 caminhões alcançando 40 mil beneficiários; Zabadani, onde três caminhões alcançaram mil beneficiários; e Foah e Kefraya, onde 18 caminhões chegaram a 20 mil beneficiários. A segunda e última parte das entregas está provisoriamente prevista para 28 de fevereiro, observou o representante da ONU.
Como parte dos acordos facilitados através de discussões em Munique no início de fevereiro, 62 caminhões chegaram a Madimayet, alcançando 40 mil pessoas, embora o processo “não tenha sido fácil”, destacou O’Brien. Outro comboio para Madimayet está planejado para esta semana.
Em Kafr Batna, em Ghouta oriental, 15 caminhões entregaram assistência a 10 mil pessoas, apesar dos problemas encontrados no processo de negociação. A data do próximo comboio ainda tem de ser aprovado, disse O’Brien, insistindo na aprovação imediata para permitir que os comboios sigam para onde estão as pessoas em necessidade.
“As operações humanitárias não podem continuar esbarrando em restrições desnecessárias e inaceitáveis, obstruções e atrasos deliberados que estão custando a vida das pessoas”, disse O’Brien. “Para que as pessoas em extrema necessidade possam receber a assistência que precisam tão desesperadamente, o sistema deve ser urgentemente simplificado”, frisou.