Para Zeid Ra’ad Al Hussein, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, conflitos e crises humanitárias são exemplos do que acontece quando os direitos humanos são negligenciados.

Nos últimos seis anos, pelo menos 15 conflitos irromperam no mundo, oito deles no continente africano, em países como Costa do Marfim, Líbia, Mali, Nigéria, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, República Centro-Africana e Burundi. Neste último, o ACNUDH vai abrir um novo escritório. Foto: ACNUR / A. Greco
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, destacou nesta quarta-feira (21) que as turbulências enfrentadas pela comunidade internacional hoje são exemplos do que acontece quando os direitos humanos são negligenciados. O representante da ONU chamou a atenção para a crise de refugiados e para confrontos armados em diferentes partes do mundo.
“É apenas insistindo na dignidade e no valor de cada ser humano, e assegurando seus direitos, que nossos Estados, juntos, vão prosperar”, afirmou Al Hussein. O alto comissário ressaltou que, no último ano, conflitos provocaram o pior deslocamento humano desde a 2ª Guerra Mundial. “Enfrentamos, globalmente, uma crise de governança de migrações”, apontou, durante apresentação do relatório anual do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).
Diante desse quadro, o comissário lembrou as palavras do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, segundo o qual “não há dois tipos de pessoa: migrantes ‘merecedores’ ou ‘não merecedores’”. Al Hussein reconheceu que os refugiados realmente têm direitos especiais de acordo com a lei internacional, mas todos os migrantes devem ter seus direitos humanos protegidos.
O alto comissário também destacou que o ACNUDH tem investigado violações dos direitos humanos em diferentes regiões, como no Iraque, por conta das atividades do Estado Islâmico (ISIL), na Líbia e também em Camarões, no Níger e na Nigéria, onde foram registrados abusos por parte do grupo Boko Haram e também das forças armadas dos governos. Sri Lanka, Ucrânia, Mianmar e Sudão do Sul também estão sendo monitorados pela agência.