Tráfico de metanfetamina atinge ‘níveis alarmantes’ na região asiática de Mekong, alerta ONU

Grupos de crime organizado na região asiática de Mekong intensificaram a produção e tráfico de metanfetamina, droga altamente viciante, estendendo o comércio ilegal para países como Austrália, Japão e Nova Zelândia, alertaram líderes em políticas sobre drogas durante uma conferência regional apoiada pela ONU.

Pesquisas mostram que a injeção de metanfetamina tem se tornado mais comum. Foto: IRIN/Sean Kimmons

Pesquisas mostram que a injeção de metanfetamina tem se tornado mais comum. Foto: IRIN/Sean Kimmons

Grupos de crime organizado na região asiática de Mekong intensificaram a produção e tráfico de metanfetamina, droga altamente viciante, estendendo o comércio ilegal para países como Austrália, Japão e Nova Zelândia, alertaram líderes em políticas sobre drogas durante uma conferência regional apoiada pela ONU.

“Mudanças significativas no mercado regional de drogas têm acontecido nos últimos anos”, afirmou Jeremy Douglas, representante regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) durante a conferência, que teve sua abertura na capital de Mianmar, Nay Pyi Taw.

“Uma resposta à situação requer o reconhecimento de algumas dificuldades e a concordância em novas abordagens em um nível regional estratégico”, completou.

A conferência reuniu líderes em políticas sobre drogas do Camboja, China, Laos, Mianmar, Tailândia e Vietnã com o objetivo de analisar dados recentes e discutir a aplicação de leis contra drogas, justiça, saúde e o desenvolvimento de programas e estratégias alternativas.

O encontro também avaliou a implementação da última estratégia deliberada pelos países da região do Mekong no âmbito do chamado “Memorando de Entendimento Mekong sobre Controle das Drogas. Além disso, foram realizadas negociações sobre um novo plano estratégico.

A região de Mekong tem sido associada à produção e tráfico de drogas, particularmente de heroína, faz anos. No entanto, a área tem vivido “transformações significativas”, segundo o UNODC.

Recentemente, a produção de ópio e heroína tem entrado em declínio. Entretanto, gangues têm intensificado a produção e tráfico de metanfetamina de baixa qualidade – conhecida na Tailândia como “yaba” –, e de cristais de metanfetamina de alta pureza em “níveis alarmantes”.

Uma série de países pertencentes à região de Mekong já ultrapassaram o número de apreensões de drogas em comparação com o total do ano passado. Grandes quantidades de metanfetamina proveniente da área chamada “triângulo dourado” – na fronteira entre Tailândia, Laos e Mianmar – vem sendo confiscadas na Austrália, Japão, Nova Zelândia, Malásia e Indonésia, de acordo com o UNODC.

Para os países afetados, o tráfico de drogas sintéticas como a metanfetamina é particularmente difícil de lidar, parcialmente devido ao modo como os laboratórios clandestinos onde as drogas são manufaturadas podem ser facilmente realocados.

“Metanfetamina e heroína tem um valor atual estimado em 40 bilhões de dólares no mercado regional de drogas”, declarou o assessor do UNODC, Tao Zhiqiang. “Coordenação efetiva entre países é essencial, e o Memorando continua sendo o melhor veículo disponível para essa logística.”

Zhiqiang também destacou que operações para o reforço da lei fazem parte da solução, mas a abordagem da crescente demanda regional também é importante.

O Memorando também proporcionou uma plataforma nos últimos anos para que os países da região concordem em um padrão de procedimentos para operações de reforço da lei em diferentes países, além de fornecer uma estrutura para troca de ideias e experiências.

Em um desenvolvimento considerável, o documento foi alinhado no ano passado com as recomendações realizadas pela Sessão Especial da Assembleia Geral sobre o controle as drogas ilícitas em um nível global, garantindo forte ênfase na redução de demanda, e nos impactos à saúde.

As recomendações também incluem a criação de programas alternativos de desenvolvimento, de maneira a garantir diferentes meios de obtenção de renda em comunidades onde as drogas são fabricadas, além de acentuar o reforço da lei tendo como alvo as gangues no centro do tráfico.