‘Transformar compromissos em ações é crucial para a luta contra a fome’, diz agência da ONU

Desde 2015, a fome vem avançando no mundo e pode ameaçar anos de progresso, alerta a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Segundo seu último relatório, em dois anos o número de pessoas sofrendo de insegurança alimentar aumentou de 80 milhões para 108 milhões. A maioria está em países afetados por mudanças climáticas e conflitos.

Agricultores preparam terra para plantar açafrão na vila de Bheri Ganga, distrito de Surkhet, oeste do Nepal. Foto: FIDA/Sanjit Das/Panos

Agricultores preparam terra para plantar açafrão na vila de Bheri Ganga, distrito de Surkhet, oeste do Nepal. Foto: FIDA/Sanjit Das/Panos

Desde 2015, a fome vem avançando no mundo e pode ameaçar anos de progresso, alertou a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) nessa semana. Segundo seu último relatório, em dois anos o número de pessoas sofrendo de insegurança alimentar aumentou de 80 milhões para 108 milhões. A maioria está em países afetados por mudanças climáticas e conflitos.

“A fome só será derrotada se os países transformarem seus compromissos em ações, especialmente nos níveis nacionais e locais”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, na abertura da conferência bienal da agência, na última segunda (3), em Roma.

Ele ressalta a necessidade de um esforço coletivo em países afetados por conflitos e mudanças climáticas – que, em conjunto, abrigam 60% da população mundial que sofre com a fome.

“A paz é, naturalmente, a chave para acabar com essas crises, mas não podemos aguardar a paz para agir. (…) É extremamente importante assegurar que essas pessoas tenham condições de continuar produzindo sua própria comida.”

A FAO identificou 19 países em uma situação de “crise prolongada”, muitas vezes enfrentando eventos climáticos extremos, como secas e inundações. Foi sinalizado, ainda, que o risco da fome no nordeste da Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iêmen, com 20 milhões de pessoas severamente afetadas.

Essas condições extremas não só prejudicam vidas, mas também forçam muitos a migrar em busca de uma vida melhor, agravando o sofrimento. Aqueles em maior situação de vulnerabilidade – especialmente mulheres – geralmente são os mais impactados.

Para aliviar o sofrimento de milhões, a agência da ONU vai focar seus esforços, nos próximos dois anos, na promoção da agricultura sustentável, adaptação e migração por mudanças climáticas, redução da pobreza, escassez de água, além de apoiar os meios de subsistência rurais afetados por conflitos. “Para salvar vidas, precisamos salvar os meios de subsistência”, ressaltou Silva.

Transformação no setor agrícola é fundamental para a Agenda 2030

O chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, destacou que transformar a agricultura é fundamental para mudar o mundo, conforme previsto na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

“Fazer isso não pode ser visto como um desafio técnico a ser direcionado ao setor da agricultura, mas sim como um empreendimento complexo que exige abordagens integradas considerando aspectos econômicos, ambientais e sociais”, disse Steiner durante a conferência da FAO.

“É preciso reconhecer os agricultores como agentes de mudança, operando dentro de uma grande ‘economia agrícola’, que com os incentivos adequados, podem aproveitar a agricultura para melhorar os meios de subsistência e a sustentabilidade.”

A Conferência da FAO, realizada de 3 a 8 de julho, é o mais alto órgão administrativo da agência da ONU. Ela revisa e decide sobre o programa de trabalho e o orçamento da FAO, além de discutir áreas prioritárias relacionadas à alimentação e agricultura em todo o mundo.