Transição no Sudão do Sul ainda ameaça população civil, alerta enviada da ONU

Em informe ao Conselho de Segurança, Hilde Johnson alertou para os desafios de segurança interna, particularmente a violência intercomunitária em diversas áreas e as atividades de grupos armados.

Representante Especial para o Sudão do Sul, Hilde F. Johnson. Foto: ONU/Isaac Billy

Representante Especial para o Sudão do Sul, Hilde F. Johnson. Foto: ONU/Isaac Billy

A transição do Sudão do Sul para um Estado estável e viável continua em um ritmo desigual, disse nesta quinta-feira (21) ao Conselho de Segurança a principal funcionária das Nações Unidas no país, advertindo que os desafios de segurança interna, particularmente a violência intercomunitária em diversas áreas e as atividades de grupos armados, representam uma “séria ameaça” para os civis.

“A situação no estado de Jonglei continua a ser uma fonte de grande preocupação e apresenta desafios complexos tanto para a UNMISS quanto para o Governo”, disse a Representante Especial do Secretário-Geral, Hilde F. Johnson, referindo-se à Missão da ONU no Sudão do Sul, que ela dirige.

O estado oriental de Jonglei é o maior do Sudão do Sul e tem sido palco de violência entre comunidades desde que o país se tornou independente do Sudão, em julho de 2011. Nas últimas semanas houve um aumento dos combates entre as autoridades nacionais e os grupos armados conhecidos como David Yau Yau.

“O Governo continua empenhado em encontrar uma solução pacífica”, disse Johnson, alertando no entanto que “a janela para o diálogo está sendo encerrada e as operações militares poderão em breve ter início”.

Ela acrescentou que, enquanto o Governo se comprometeu a proteger os civis durante suas operações, as pessoas “poderiam ser pegas no fogo cruzado”.

Em caso de um conflito potencial, a UNMISS desenvolveu planos de contingência, reforçando inclusive a sua presença militar, aumentando patrulhas civil-militares para identificar possíveis ataques e continuando a se engajar junto às comunidades vulneráveis, disse Johnson.

Ela também informou aos 15 membros do Conselho que o ambiente operacional da ONU “tornou-se mais difícil devido a uma série de violações graves” do acordo entre as Nações Unidas e o Sudão do Sul.

A mais notória dessas violações, afirmou Johnson, foi um ataque no dia 21 de dezembro de 2012 contra um helicóptero da UNMISS que resultou na morte de quatro tripulantes russos.

“Nós engajamos o Governo neste tema nos mais altos níveis para exortar uma investigação rápida e transparente”, disse Johnson, em acordo com as regras internacionais de aviação civil.

Além disso, um membro da força de paz da ONU em patrulha foi atacado na semana passada por um grupo armado não identificado em Jonglei. Ele foi rapidamente retirado para tratamento médico.