Ban Ki-moon saudou anúncio feito pela Rússia de uma pausa humanitária nos bombardeios contra a cidade de Alepo e disse que uma transição política credível continua sendo a ‘questão central’ para pôr fim ao terrível conflito no país.
“Não há uma solução militar para a crise síria. A cessação das hostilidades em todo o país deve ser revivida e elementos extremistas devem ser isolados. Isso vai exigir mecanismos de monitoramento robustos e confiáveis”, disse o secretário-geral da ONU.

Criança e homem vendendo produtos de panificação em Alepo, na Síria. Foto: UNICEF/Rami Zayat
Durante evento sobre a situação humanitária na Síria, realizado na semana passada (20), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que uma transição política credível continua sendo a “questão central” para pôr fim ao terrível conflito no país.
Segundo o dirigente máximo das Nações Unidas, essa situação é fundamental para a realização de um processo em que o povo sírio tenha garantia de uma realidade nova, pacífica e democrática.
No debate realizado pela Assembleia Geral, Ban também saudou o anúncio feito pela Rússia de uma pausa humanitária nos bombardeios contra a cidade de Alepo, e disse que a medida “vai permitir a entrada de medicamentos na cidade”.
Ele observou ainda que as agências da ONU e parceiros estão se preparando para realizar evacuações médicas urgentes e para fornecer suprimentos de emergência para centenas de doentes, pessoas gravemente feridas e seus familiares no leste de Alepo.
“Para que a assistência humanitária seja entregue e ajude a salvar vidas, é preciso que todos os lados garantam a segurança e facilitem essa iniciativa urgente”, frisou Ban.
“Mas essa ajuda é o mínimo e está longe de ser o suficiente. Precisamos de acesso humanitário completo ao leste da cidade devastada pela guerra”, completou.
De acordo com agências da ONU, a ofensiva que está sendo realizada pelo governo da Síria em Alepo desde 23 de setembro foi o bombardeio aéreo mais sustentado e ofensivo que ocorreu desde que o conflito começou.
Cerca de 500 pessoas morreram e pelo menos 2 mil ficaram feridas, sendo mais de um quarto dos óbitos crianças. Nenhum comboio da ONU consegue chegar à área desde 7 de julho.
“Nessas condições medievais, os mais vulneráveis sofrem mais. O setor de saúde tem sido impiedosamente atacado – centenas de pessoas estão em necessidade urgente de evacuação médica”, sublinhou o secretário-geral.
“Não há uma solução militar para a crise síria. A cessação das hostilidades em todo o país deve ser revivida e elementos extremistas devem ser isolados. Isso vai exigir mecanismos de monitoramento robustos e confiáveis”, acrescentou.
Segundo Ban, graves violações de direitos humanos foram cometidas na Síria nos últimos anos, e várias ações podem constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Ele pediu aos Estados-membros da ONU cooperação e respeito à “responsabilidade coletiva de proteger” os civis.
Participando do evento através de videoconferência, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, também elogiou o anúncio das autoridades russas de pausa nos confrontos, mas destacou que muito mais precisa ser feito.
Ele espera que o acordo facilite a saída de Alepo de centenas de pessoas doentes ou feridas, e lembrou que o cessar-fogo é temporário e que ainda existem muitos obstáculos para a paz duradoura na Síria.
“Se um caminho não for encontrado pela comunidade internacional para unificar e parar o massacre em curso, bem como traçar um caminho credível para uma solução política, o número de mortos e feridos só vai aumentar e assombrar nossas consciências”, afirmou.