Tratado de proibição de testes nucleares é essencial para segurança global, diz chefe da ONU

Todos os esforços possíveis devem ser feitos para colocar em vigor um tratado global que impeça que mais países desenvolvam armas nucleares, de acordo com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

“A história dos testes nucleares é uma história de sofrimento, com vítimas de mais de 2 mil testes muitas vezes pertencendo às comunidades mais vulneráveis do mundo”, declarou Guterres.

Teste nuclear em uma ilha na Polinésia Francesa, em 1971. Foto: CTBTO

Teste nuclear em uma ilha na Polinésia Francesa, em 1971. Foto: CTBTO

Todos os esforços possíveis devem ser feitos para colocar em vigor um tratado global que impeça que mais países desenvolvam armas nucleares, de acordo com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O apelo do chefe da ONU veio por meio de uma mensagem no Dia Internacional contra Testes Nucleares, celebrado anualmente no dia 29 de agosto.

“A história dos testes nucleares é uma história de sofrimento, com vítimas de mais de 2 mil testes muitas vezes pertencendo às comunidades mais vulneráveis do mundo”, declarou Guterres.

“As consequências devastadoras – que não foram confinadas por fronteiras internacionais – abrangeram impactos ao meio ambiente, saúde, segurança alimentar e desenvolvimento econômico.”

A ONU tem pressionado para que o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT) entre em vigor.

O tratado proíbe explosões nucleares em qualquer lugar da Terra, seja em sua superfície, atmosfera, debaixo d’água ou subsolo. Também tem como objetivo tornar mais difícil para que países desenvolvam bombas nucleares pela primeira vez, e impede que nações que já possuem tecnologia nuclear desenvolvam bombas ainda mais poderosas.

Mais de 180 países assinaram o tratado, a maioria dos quais também o ratificou.

Porém, embora seja quase universal, esse tratado só entrará em vigor após ser assinado e ratificado pelos oito países que possuem tecnologia nuclear: China, Egito, índia, Irã, Israel, Coreia do Norte, Paquistão e Estados Unidos.

“O Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares tem um papel essencial no contexto do desarmamento nuclear e do regime de não proliferação”, declarou o chefe da ONU.

“Ele cuida da paz e segurança internacional por intermédio da restrição do desenvolvimento de armas nucleares. A nossa segurança coletiva demanda que todos os esforços devem ser feitos para que esse tratado essencial entre em vigor.”

Lassina Zerbo, secretário-executivo da comissão da ONU que promove o tratado, conhecida como CTBTO, também pediu para que a comunidade internacional “tome os últimos passos” para assegurar a vigência do acordo.

“Enquanto o tratado não estiver em vigor, a norma internacional estabelecida contra testes nucleares e o sistema global de verificações que foi desenvolvido nas últimas duas décadas estão sobre risco. Eu peço que os últimos oito países ratifiquem o tratado e apelo para que os outros renovem seus esforços no apoio ao documento”, disse o secretário-executivo, em uma mensagem para marcar o dia internacional.

Zerbo declarou que sua convicção sobre o papel do tratado no contexto da península coreana foi fortalecida após uma visita à região.

O CTBTO organizou um encontro no Cazaquistão, reunindo especialistas internacionais e jovens para observar problemas-chave em relação à desnuclearização.

“O significado [da conferência] ser realizada no Cazaquistão no dia 29 de agosto, onde testes nucleares deixaram um legado venenoso, é imenso”, acrescentou Zerbo, lembrando que a data também comemora o fechamento do campo de testes de Semipalatinsk em 1991, onde a União Soviética realizou “um dos maiores e mais extensos programas de testes nucleares na história”.

“Para o Cazaquistão, foi muito importante compartilhar sua experiência em ter testes nucleares conduzidos em seu território”, declarou o embaixador Kairat Umarov, representante permanente do Cazaquistão na ONU, enfatizando que armas nucleares não são apenas destrutivas no momento em que são usadas, mas que seus efeitos nocivos são de longo prazo, devastando a vida de pessoas e também do ambiente.

“Se falarmos em números, os efeitos dos testes nucelares no ar, no solo e no subsolo são comparáveis a borrifar 300 quilogramas de plutônio sobre 18 mil quilômetros quadrados […] um grande território que se torna inútil”, concluiu.