Embora o número de haitianos que enfrentam a fome tenha diminuído nas áreas mais afetadas pelo furacão Matthew, mais de três meses após a passagem da tempestade mais de 1,5 milhão de pessoas permanecem em insegurança alimentar em outras áreas do país.

Forças de paz da ONU no Haiti – a MINUSTAH – fornecem segurança em um ponto de distribuição do PMA em Jeremie, Haiti. O local foi severamente afetado pelo furacão Matthew. Foto: ONU /MINUSTAH/Logan Abassi
Embora o número de haitianos que enfrentam a fome tenha diminuído nas áreas mais afetadas pelo Furacão Matthew, três meses após a passagem da tempestade, mais de 1,5 milhão de pessoas ainda permanecem em insegurança alimentar em outras áreas do país.
O alerta é do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Coordenação Nacional para a Segurança Alimentar (CNSA), que divulgaram relatório sobre a situação nessa quarta-feira (18).
“Os resultados das avaliações mostram o impacto muito positivo de nossos esforços coletivos após a passagem do furacão, mas também a necessidade urgente de continuar e redirecionar a assistência para novas áreas com altos níveis de insegurança alimentar, bem como de inciar intervenções de recuperação”, disse o representante do PMA no Haiti, Ronald Tran Ba Huy.
De acordo com a avaliação, pessoas residentes em áreas mais atingidas no sul do país, como os distritos de Grande-Anse e Sud, encontram-se atualmente em situação melhor. Estima-se que cerca de 400 mil enfrentam fome e insegurança alimentar, em comparação a 1 milhão nessa situação logo após a passagem da tempestade.
Enquanto isso, em localidades no oeste da ilha caribenha que não foram tão afetadas, como em Artibonite, Nippes e La Gonave, haitianos estão em pior situação. A insegurança é atribuída aos ciclos de seca e de inundações que precedem o furacão há anos.
Para a representante da FAO no Haiti, Nathanaël Hishamund, há uma necessidade urgente de consolidar os ganhos obtidos a partir de trabalhos em parceria com o governo, reforçando os objetivos das intervenções da FAO nas comunidades mais vulneráveis.
Diante da situação, a comunidade humanitária no Haiti está solicitando 13 milhões de dólares para apoiar a segurança alimentar e a agricultura no país em 2017.
ONU pede ‘consórcio’ de doadores para combate ao cólera no Haiti
O conselheiro especial da ONU, David Nabarro, convocou na terça-feira (17) um novo ‘consórcio’ de doadores comprometidos em melhorar os sistemas de água e de saneamento do Haiti. A associação visa a combater o cólera no país e apoiar as ações do recém-eleito presidente Jovenel Moïse.
Nabarro fez a apresentação do pedido durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Ele solicitou o apoio de doadores, dos bancos de desenvolvimento e do setor privado para a recuperação do país em longo prazo.
Segundo ele, a ONU está comprometida com uma nova e melhorada abordagem para erradicar a doença no país, que se concentra em duas fases diferentes.
A primeira consiste em ações mais intensas e com mais recursos para responder e reduzir a incidência do cólera, abordando questões de curto e longo prazos relacionadas à água, saneamento e serviços de saúde no país.
A segunda parte da abordagem é o desenvolvimento de um pacote de assistência material e apoio aos haitianos mais diretamente afetados pela doença, centrado nas vítimas, nas suas famílias e comunidades. A ideia é que as pessoas também se envolvam no desenvolvimento das propostas.
Nabarro elogiou as doações já realizadas pela França e pela Coreia do Sul, que enviaram 636 mil e 1 milhão de dólares, respectivamente, para o fundo da ONU. O Canadá também prometeu recentemente 4,6 milhões de dólares.
O Haiti está lidando com um surto do cólera desde outubro de 2010, aproximadamente nove meses após ter sido atingido por um terremoto devastador. Estimativas apontam que a epidemia tenha afetado cerca de 788 mil pessoas e causado a morte de mais de 9 mil.
Os esforços nacionais e internacionais, apoiados pelas Nações Unidas, resultaram em uma redução de 90% dos casos suspeitos.