Instituições responsáveis por julgamentos de crimes na ex-Iugoslávia e Ruanda devem concluir suas funções até o fim de 2014. Ambas serão substituídas pelo Mecanismo Internacional Residual para Tribunais Penais.
Instituições responsáveis por julgamentos de crimes na ex-Iugoslávia e Ruanda devem concluir suas funções até o fim de 2014. Ambas serão substituídas pelo Mecanismo Internacional Residual para Tribunais Penais.

Presidente do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIJ), Theodor Meron. Foto: ONU/Evan Schneider
Apesar dos vários atrasos, os tribunais de crimes de guerra da ONU, criados na sequência do genocídio de 1994 em Ruanda e dos conflitos na ex-Iugoslávia na década de 1990, estão perto de completar seu trabalhos, funcionários da organização disseram na quarta-feira (12) ao Conselho de Segurança da ONU.
Os funcionários observaram que o apoio da comunidade internacional é importante para enfrentar os desafios restantes.
O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIJ) é encarregado pelo Conselho de julgar os responsáveis pelos piores crimes de guerra e violações do direito humanitário internacional cometidas durante os vários conflitos no antigo país na década de 1990.
O TPIJ completou seu 20° aniversário há algumas semanas e, desde sua criação, já indiciou 161 pessoas.
Apenas quatro processos relativos a crimes estatuários ainda precisam ser concluídos. Três serão concluídos de acordo com o cronograma e um caso que seria finalizado no final de dezembro 2014 agora está previsto para ser finalizado até julho de 2015.
Alguns casos de apelação também foram adiados, disse o presidente do TPIJ, Theodor Meron, lembrando ao Conselho da amplitude e complexidade dos crimes, bem como os desafios logísticos que o tribunal enfrenta – incluindo a distância entre suas instalações em Haia, na Holanda, e a localização das testemunhas.
Meron também é presidente do Mecanismo Internacional Residual para Tribunais Penais (IRMCT) e disse que “todas as providências estão sendo tomadas para garantir a transferência contínua de funções do TPIJ para o IRMCT em Haia no dia 1° de julho”.
O Conselho criou o IRMCT em dezembro de 2010 para assumir e terminar as tarefas restantes, tanto do TPIJ quanto do Tribunal Penal Internacional de Ruanda (TPIR), uma vez que os seus respectivos mandatos expiram.
O órgão da ONU pediu aos dois tribunais para concluir seus trabalhos até o final de 2014. O IRMCT iniciou suas funções junto ao Tribunal de Ruanda em 1° de julho de 2012, enquanto o trabalho junto ao TPIJ vai começar em 1 º de julho de 2013.
O mecanismo vai assumir a responsabilidade por uma variedade de funções anteriormente desempenhadas pelo TPIJ, incluindo a execução de sentenças, a prestação de assistência à jurisdição nacional, bem como a proteção das vítimas e testemunhas em julgamentos concluídos, entre outras tarefas.
Sobre Ruanda, Meron disse que o trabalho do IRMCT na sede do TPIR em Arusha, Tanzânia, está no caminho certo e o financiamento está sendo realizado.
No entanto, o funcionário da ONU expressou preocupação sobre a situação no Mali, onde 17 pessoas condenadas pelo TPIR estão cumprindo sentenças e disse que o IRMCT – que é agora responsável pelos indivíduos – está tomando medidas para rever as práticas de execução e buscando aumentar a sua capacidade de cumprir as sentenças na África e estabelecer acordos de execução com novos países.
O TPIR foi criado após o genocídio de Ruanda em 1994, quando pelo menos 800 mil tutsis e hutus politicamente moderados foram assassinados durante um período de três meses, com início em abril daquele ano.
O presidente do TPIR, Vagn Joensen, disse ao Conselho que o trabalho de julgamento de seu tribunal foi concluído e foram cumpridos com sucesso todos os prazos previstos em dezembro para os recursos. Joensen acrescentou que a transição das funções do TPIR para o IRMCT está indo bem.
Apesar do progresso, Joensen expressou preocupação com a relocação das pessoas absolvidas e as que foram liberadas após a conclusão de sua sentença na Tanzânia.
Existem hoje sete pessoas absolvidas e três que foram libertadas após o fim das sentenças e que permanecem em casas seguras em Arusha sob a proteção do Tribunal. No entanto, estas não têm o estatuto de imigração adequada e são incapazes de se mover livremente.