Tribunal da ONU condena ex-chefe militar servo-bósnio à prisão perpétua por genocídio

Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia condenou Zdravko Tolimir por genocídio e outros crimes ligados aos assassinatos de homens e meninos muçulmanos bósnios em Srebrenica, em 1995.

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia condenou na quarta-feira (12) um ex-chefe militar servo-bósnio à prisão perpétua, depois de condená-lo por genocídio e outros crimes ligados aos assassinatos de homens e meninos muçulmanos bósnios em Srebrenica, em 1995.

O Tribunal considerou Zdravko Tolimir, 64 anos, culpado de fazer parte de dois empreendimentos criminais conjuntos em 1995, um deles que rapidamente se tornou conhecido na mídia como o “massacre de Srebrenica”, e outro envolvendo a remoção e deportação de muçulmanos bósnios de Srebrenica e Zepa, de acordo com um comunicado de imprensa do Tribunal.

Tolimir é ex-Comandante Assistente e foi chefe de inteligência do Exército servo-bósnio, que serviu na autoproclamada República Sérvia, no leste do território internacionalmente reconhecido da Bósnia-Herzegóvina após a divisão da Iugoslávia.

O Tribunal disse que uma maioria de um painel de três juízes condenou Tolimir por genocídio, conspiração para cometer genocídio e homicídio como uma violação das leis de guerra, bem como por extermínio, perseguições, atos desumanos por meio da transferência forçada e assassinato como crime contra a humanidade. Ele não foi considerado culpado do crime de deportação como um crime contra a humanidade.

A maioria da corte concordou que pelo menos 6 mil homens muçulmanos foram mortos em Srebrenica. Cerca de 30 mil e 35 mil mulheres e crianças foram removidas de modo forçado de Srebrenica e Zepa.

“Retirar a população muçulmana civil da Bósnia e de Zepa e demolir suas casas e mesquitas, matando três dos mais proeminentes líderes locais, foram ações realizadas para garantir que a população muçulmana da Bósnia não seria capaz de se reconstituir”, acrescentou o comunicado.

Acusado em 2005, o Tolimir passou dois anos em fuga antes de sua prisão na Sérvia, sendo transferido para Haia em 2007. Seu julgamento começou em fevereiro de 2010.

O julgamento é um dos 12 processos no Tribunal para a ex-Iugoslávia que lidam com uma série de crimes cometidos por forças sérvias da Bósnia contra os muçulmanos bósnios durante e após a queda de Srebrenica e Zepa em julho de 1995. Na época, a região era considerada zona protegida da ONU. Seis dos casos foram concluídos.