Procuradoria vai se dedicar especialmente aos casos no norte do país, onde há relatos de assassinato, mutilação, tratamento cruel, tortura e estupro, entre outras violações.
A Procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, abriu oficialmente nesta quarta-feira (16) uma investigação sobre os supostos crimes de guerra cometidos no Mali desde janeiro de 2012, dedicando especialmente ao norte do país.
Bensouda disse que existe “uma base razoável” para crer que foram cometidos crimes de assassinato, mutilação, tratamento cruel e tortura; alvejamento intencional de objetos protegidos, realização de sentenças e execuções sem julgamento prévio pronunciado por um tribunal regularmente constituído, pilhagem e estupro.
“Em cada etapa durante o conflito, diferentes grupos armados causaram estragos e sofrimento humano através de uma série de supostos atos de extrema violência. Concluí que alguns desses atos de brutalidade e destruição podem constituir crimes de guerra, tal como definido pelo Estatuto de Roma”, afirmou a Procuradora, referindo-se ao tratado que criou o Tribunal, localizado em Haia, na Holanda.
Os combates entre as forças governamentais e os rebeldes tuaregues eclodiram no norte do país há um ano, quando radicais islâmicos tomaram o controle da área. Os novos confrontos no norte, bem como a proliferação de grupos armados na região, a instabilidade política e a seca, na sequência de um golpe de Estado militar em março fez com que centenas de milhares de civis se deslocassem internamente ao longo de 2012.