Câmara de pré-julgamento conclui trabalho de pesquisa e comprova crimes contra humanidade de membros do alto escalão queniano.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) determinou hoje (23/01) o julgamento de quatro importantes líderes quenianos por crimes contra humanidade cometidos na sequência das eleições em 2007.
São acusados Uhuru Muigai Kenyatta, Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças; William Samoei Ruto, ex-Ministro da Educação Superior, Ciência e Tecnologia; Francis Kirimi Muthaura, chefe do Serviço Público e Secretário de Gabinete; e Joshua Arap Sang, chefe de operações da estação de rádio KASS FM.
Ruto e Sang são acusados de deportação forçada, perseguição e crimes contra humanidade – resultantes de um ataque particular aos grupos Kikuyu, Kamba e Kissi, devido a sua filiação política com o Partido da Unidade Nacional.
Os outros dois acusados, Kenyatta e Muthaura, vão a julgamento por assassinato, sequestro, perseguição e deportação forçada, no caso de um ataque às cidades de Naivasha e Nakuru em 2008.
O Tribunal, através da câmara de pré-julgamento, alega já ter provas suficientes contra todos e disse que “eles estão para ser levados a julgamento. Eles serão julgados por uma câmara diferente pelas acusações confirmadas. Para esse fim, uma ou mais câmaras de julgamento serão estabelecidas pelo Presidente do Tribunal [Penal Internacional]”.
Mais de 1.100 pessoas foram mortas, 3.500 feridas e 600 mil forçadamente deslocadas na violência que se seguiu às eleições de dezembro de 2007. Houve centenas de sequestros. Pelos menos 100 mil propriedades foram destruídas. “As decisões são resultado de um intenso e comprometido trabalho jurídico da câmara, conduzido imparcial, independente e conscientemente a serviço da justiça”, completou a câmara, através de seus juízes Ekaterina Trendafilova, Hans-Peter Kaul e Cuno Tarfusser.