Trinta milhões de deslocados internos precisam de ajuda global, alerta agência da ONU

Chefe do ACNUR informou que número de deslocados internos aumentou 50% nos últimos 15 anos e ressaltou que 2013 pode bater novo recorde devido ao aumento das crises na África e na Síria.

Mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas internamente devido à crise na República Centro-Africana no ano passado. Foto: ACNUR/B. Heger

Mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas internamente devido à crise na República Centro-Africana no ano passado. Foto: ACNUR/B. Heger

Os quase 30 milhões de deslocados internos por todo o mundo precisam de maior ajuda da comunidade internacional, afirmou o chefe da agência da ONU para os refugiados, António Guterres, na quarta-feira (11) durante a abertura de uma discussão anual sobre os desafios da segurança mundial.

Ele alertou os participantes para o fato de que o número de deslocados internos aumentou 50% nos últimos 15 anos e observou que 2013 pode quebrar novos recordes devido às crises na Síria, República Centro-Africana e no leste da República Democrática do Congo.

Esses conflitos também refletem no aumento acentuado dos fluxos de refugiados. Somente neste ano, cerca de 2 milhões de pessoas fugiram de seus respectivos países, o maior número de refugiados em quase 20 anos.

Guterres ressaltou que, em parte devido à natureza do deslocamento interno, essas pessoas possuem poucas leis para protegê-las e, sem documentação e serviços básicos, ficam à mercê da discriminação, exploração e violência sexual baseada no gênero.

Ele pediu que os participantes da discussão — entre eles representantes de governos, organizações não governamentais (ONGs), universidades e organizações intergovernamentais — ajudem a reforçar a situação dos deslocados internos na agenda internacional.

“Encontrar soluções para eles (deslocados) exige vontade política para resolver as causas profundas. Um sistema de defesa mais forte é, portanto, necessário que a comunidade internacional garanta que os processos de paz levem em conta as preocupações e necessidades dos deslocados internos, bem como as suas comunidades de acolhimento”, disse.