Ucrânia: Chefe da ONU alerta que referendo na Crimeia pode aumentar tensão na região

No sábado (15), Rússia usou poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para deter resolução que condenaria referendo. Consulta na região viola direito internacional.

Protesto em Kiev, em março de 2014, contra a invasão russa na Crimeia. Foto: BO CBo6ona, wikimedia commons

Protesto em Kiev, em março de 2014, contra a invasão russa na Crimeia. Foto: BO CBo6ona, wikimedia commons

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, voltou a afirmar nesta segunda-feira (17), por meio de seu porta-voz que está “profundamente preocupado e decepcionado” com o referendo realizado na Crimeia, região autônoma da Ucrânia, afirmando que a iniciativa vai agravar “uma situação já complexa e tensa”.

“O secretário-geral continua a seguir de perto a situação na Ucrânia”, disse o porta-voz de Ban, Stéphane Dujarric, a jornalistas em Nova York, acrescentando que desde o início da crise, o chefe da ONU pediu a todas as partes que evitem “passos apressados” que poderiam exacerbar as tensões.

“Ele encoraja todas as partes a trabalhar para uma solução guiada pelos princípios da Carta das Nações Unidas, inclusive respeitando a unidade e a soberania da Ucrânia”, disse Dujarric.

A declaração surge na sequência de uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU no sábado (15), em que o órgão de 15 países foi impedido de adotar uma resolução instando a comunidade internacional a afirmar as fronteiras nacionais da Ucrânia e declarar o referendo na Crimeia inválido, devido a um veto da Rússia, membro permanente. A China – que também é membro permanente, juntamente com a França, Reino Unido e Estados Unidos – se absteve na votação.

Relatos da imprensa apontam que os eleitores da Crimeia apoiaram em peso que a região deixe de pertencer à Ucrânia e seja anexada à Rússia.

O referendo veio após meses de agitação política, desencadeada pela decisão do governo em novembro passado de não assinar um acordo mais amplo sobre a integração europeia. A capital da Ucrânia, Kiev, foi tomada por manifestações violentas e confrontos de rua no final de janeiro, culminando na queda do presidente Viktor Yanukovich, após decisão do Parlamento ucraniano.

Em sua declaração nesta segunda-feira (17), o secretário-geral condenou a violência que ocorreu no fim de semana no leste da Ucrânia e que resultou em ferimentos e perdas de vida em todos os lados.

“O secretário-geral apela mais uma vez para que todas as partes se abstenham da violência e se comprometam com o fim da violência e com o diálogo nacional inclusivo, na busca de uma solução política e diplomática”, disse Dujarric, acrescentando: “A deterioração da situação terá sérias repercussões para o povo da Ucrânia, para a região e além.”

O chefe da ONU também pediu que todas as partes na Ucrânia e aqueles com influência para evitar quaisquer medidas que possam aumentar ainda mais as tensões.