Mesmo com o cessar-fogo, o novo relatório da ONU registra uma série de graves violações à população por parte dos grupos armados e forças armadas do governo ucraniano.

Fugindo do leste da Ucrânia, devido ao conflito armado, família ucraniana chega em Kiev, capital do país. Foto: ACNUR/I. Zimova
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) divulgou nesta quarta-feira (8) o mais recente relatório sobre a crise no leste da Ucrânia, alertando que apesar da ausência de ações ofensivas em grande escala na região devido ao cessar-fogo, os grupos armados ainda continuam aterrorizando a população quase que diariamente nas áreas sob seu controle.
O relatório da Missão da ONU de Observação dos Direitos Humanos na Ucrânia – que cobre o período de 18 de agosto a 16 de setembro – alerta que, apesar da desaceleração do conflito, grupos armados continuam cometendo ofensas em menor escala quase diariamente, como troca de tiros, destruição ou confisco de propriedades. Além disso, também foi registrado contínuas denúncias de violações dos direitos humanos cometidas por batalhões voluntários que operam sob o controle do governo ucraniano.
“O prolongamento desta crise vai tornar a situação insustentável para as milhões de pessoas que diariamente têm sido seriamente prejudicadas”, disse o chefe da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, em um comunicado à imprensa.
Ele ressaltou que todas as violações e abusos do lei internacional dos direitos humanos e do direito internacional humanitário devem ser rigorosamente investigados e processados, como bombardeios indiscriminados em áreas civis, assassinatos, denúncias de violência sexual, maus-tratos a detidos e apreensão ilegal de propriedade.
No período de abril a outubro, cerca de 3.660 pessoas foram mortas e 8.756 ficaram feridas no conflito armado no leste da Ucrânia. Desde o início do cessar-fogo, entre 6 de setembro e 6 de outubro, foram registradas 331 mortes, apesar de algumas terem ocorridas antes do acordo e só terem sido registradas depois.