“Apelei para o presidente Putin para que ele se envolva com urgência em um diálogo direto com as autoridades de Kiev”, disse Ban Ki-moon. Conselho de Segurança realizou mais uma reunião de emergência neste sábado (1).

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, grava declaração logo após conversar por telefone com o presidente russo. Foto: ONU
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conversou neste sábado (1) por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a situação na Ucrânia.
“Eu disse a ele que eu estou acompanhando de perto os desenvolvimentos graves e que emergem rapidamente na Ucrânia. Estou seriamente preocupado com alguns dos acontecimentos recentes, em particular aqueles que podem de alguma forma comprometer a unidade, soberania e integridade territorial do país”, disse Ban Ki-moon em Nova York, logo após a conversa.
Ban disse ser “crucial restaurar a calma”, destacando que o diálogo deve ser a “única ferramenta para acabar com esta crise”.
“Apelei para o presidente Putin para que ele se envolva com urgência em um diálogo direto com as autoridades de Kiev”, disse o secretário-geral da ONU.
Segundo relatos da imprensa, a Ucrânia colocou suas Forças Armadas em alerta de combate completo neste sábado (1º) e avisou a Rússia de que qualquer intervenção militar no país poderá levar a uma guerra.
A reação do governo interino ucraniano veio após o Senado russo ter aprovado, neste sábado (1), a proposta de Putin para enviar tropas russas à Ucrânia. O Conselho da Federação apoiou com ampla maioria a proposta para “usar as Forças Armadas da Federação Russa no território da Ucrânia até a normalização da situação sociopolítica naquele país”, disseram fontes da imprensa.
O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência sobre a situação, a pedido do Reino Unido, para debater o tema. Mais cedo o secretário-geral da ONU já havia publicado um comunicado em que pedia respeito à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia.
Na reunião do Conselho, o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, lembrou sobre os relatos de que, na Crimeia – uma região autônoma em território ucraniano –, locais-chave como aeroportos, estruturas de comunicações e edifícios públicos, incluindo o parlamento regional, estão sendo bloqueados por homens armados não identificados.
Há relatos também de pessoal armado tomando o controle dos edifícios da administração regional em diversas cidades do leste e do sul da Ucrânia, disse Eliasson.
O novo primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksenov, divulgou neste sábado (1) uma declaração em que apela ao presidente Putin para que “preste assistência no sentido de garantir a paz e a tranquilidade no território da República Autônoma da Crimeia”. Na mesma declaração, ele anunciou que estava assumindo o controle da segurança na Crimeia “em uma base temporária”. Ele teria dito a todo o pessoal de segurança para declarar lealdade a ele, e não às autoridades de Kiev.
O vice-secretário-geral da ONU destacou com preocupação que as forças russas estão sendo enviadas para a Ucrânia “enquanto se aguarda a normalização da situação política e pública no país”, segundo fontes do governo russo.
Eliasson afirmou, no entanto, que existem alguns sinais encorajadores. “Um deles é o anúncio de Kiev sobre a intenção de ampliar o governo de modo a incluir representantes de leste da Ucrânia. Também estamos observando que as chamadas para o diálogo entre todas as outras partes interessadas, dentro e fora da Ucrânia, parecem estar repercutindo”, disse ao órgão de 15 membros da ONU.
Referindo-se às discussões do Conselho de Segurança na sexta-feira (28) sobre a missão de averiguação do enviado da ONU, Robert Serry, e sua possível visita à Crimeia , Eliasson informou que Serry estava em contato com as autoridades da República Autônoma da Crimeia. Segundo ele, uma visita à região não foi possível ainda por razões logísticas.
Em sua declaração deste sábado (1), Serry observou que, se ele tivesse viajado para a Crimeia, teria levado, em nome do secretário-geral, uma mensagem para que todos possam acalmar a situação e que se abstenham de quaisquer ações que possam tornar o ambiente ainda mais tenso.
Robert Serry viajou para Genebra também neste sábado, onde irá informar o secretário-geral sobre a sua missão à Ucrânia e discutir os próximos passos possíveis.