Agência das Nações Unidas afirmou que países em desenvolvimento têm menos recursos para se preparar contra desastres naturais e mais dificuldade de resposta.

Uma mulher caminha através de um mercado inundado em Porto Príncipe, no Haiti. Foto: Logan Abassi/Minustah
Na semana que marca um ano que o furacão Sandy atingiu os Estados Unidos, a ONU pediu que a comunidade internacional não se esqueça dos países caribenhos que também sofreram os efeitos do furacão.
“Sandy, um dos maiores furacões registrados no Atlântico, atingiu as Bahamas, Cuba, República Dominicana, Jamaica e outros países antes de finalmente chegar à costa leste dos EUA”, lembrou o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para a América Latina e Caribe, Heraldo Muñoz, em um editorial online publicado na segunda-feira (28).
O PNUD afirma que os esforços do Caribe para se recuperar da tempestade ainda estão em curso, mas que o sofrimento dos caribenhos pode ter sido subestimado, já que os países em desenvolvimento muitas vezes não estão preparados para um grande desastre natural e não conseguem se recuperar facilmente.
“Enquanto nos EUA houve maiores perdas em termos de fatalidades totais e de extensão do dano, nas nações do Caribe, Cuba e Haiti particularmente, a tempestade foi comparativamente mais cara, com um impacto muito mais profundo sobre os meios de subsistência locais e do PIB”, afirmou o coordenador do PNUD para a redução de riscos de desastres e recuperação, Jo Scheuer.
Em Cuba, por exemplo, 3 milhões de pessoas foram afetadas pelo furacão, 11 morreram e 300 mil casas foram danificadas. O impacto da tempestade só não foi pior porque o governo e o PNUD vêm desenvolvendo medidas para prevenir os danos causados por desastres naturais no país. Quando o furacão chegou, afirma a ONU, a população já estava preparada.
Ainda assim, a agência da ONU para o desenvolvimento desembolsou 6 milhões de dólares para ajudar na recuperação de Cuba. Com a ajuda de parceiros, o programa está ajudando a reconstruir as cidades de Santiago de Cuba e Holguín, além de outros centros urbanos, reforçando a capacidade do governo local para a prevenção e resposta a desastres naturais, avaliando os danos e apoiando a recuperação agrícola.
Na Jamaica, o furacão deixou um prejuízo de 100 milhões de dólares em infraestrutura e mais de mil pessoas desabrigadas.
Para ajudar o país, o PNUD lançou o Projeto de Recuperação do Furacão Sandy, que foca na necessidade de avaliar a extensão do dano, a preparação de uma estrutura para orientar a reabilitação do país, a criação de uma secretaria para recolher todas as informações relacionadas ao desastre para uso futuro e rastreamento das áreas de risco.