Mais de 100 organizações e governos se reunirão em Genebra para propor saídas para a crise dos sírios e propor soluções, sobretudo para os países que recebem a maioria dos refugiados. Uma petição pública será entregue durante o evento desta quarta (30) contendo mais de 1,2 milhão de assinaturas em apoio aos 4,8 milhões de refugiados sírios; outras 13,5 milhões precisam de ajuda humanitária dentro da Síria.

Refugiado reassentado sírio, Khaled, posa para foto com sua filha Yara, um ano de idade, no centro de São Paulo, Brasil. Foto: ACNUR/G.Morales
Apoiar os refugiados é uma responsabilidade global que deve ser amplamente compartilhada, destacou nesta terça-feira (29) a agência de refugiados da ONU, pouco antes de uma conferência de alto nível de um dia que acontecerá em Genebra nesta semana. O foco do evento desta quarta-feira (3) será nos refugiados da Síria e na necessidade de gerar um aumento substancial do reassentamento e de outras respostas para a crise.
“Os refugiados que fogem do conflito e da violência e que chegam à Europa carregam uma importante mensagem: enfrentar sua situação não pode ser apenas a tarefa de países e comunidades que estão perto de guerras. É uma responsabilidade global que deve ser amplamente compartilhada até que a paz prevaleça novamente”, disse o alto comissario da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, em um comunicado de imprensa.
“Dar a eles (refugiados sírios) uma oportunidade para avançar para uma vida melhor, e aliviar a carga sobre os países que acolhem milhões de refugiados, são gestos importantes de solidariedade. Não percamos esta oportunidade”, acrescentou Grandi.
A conferência é um dos diversos eventos importantes em 2016 com foco nos refugiados da Síria. O encontro ocorre pouco tempo depois da Conferência de Londres sobre a Síria, de fevereiro deste ano, que discutiu o financiamento humanitário frente ao desafio de alcançar mais de 13,5 milhões de pessoas em necessidade dentro da Síria e outras 4,8 milhões de refugiados que se encontram na região, juntamente com as necessidades das comunidades nos países de acolhimento.
O encontro desta quarta também será preparatório para a cúpula de setembro sobre os refugiados, que ocorrerá na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) ressaltou que o foco da reunião é a necessidade de expandir os programas de reassentamento e outras formas de admissão humanitária, incluindo nos países que até agora não se envolveram em tais iniciativas.
A agência também enfatizou que o reassentamento não é o único objectivo – outras vias incluem a transferência humanitária ou de vistos, patrocínio privado, evacuação médica, integração familiar, bolsa de estudos e estágios ou esquemas de trabalho. O evento também apresentará abordagens inovadoras, novas parcerias e estudos de caso de sucesso – uma oportunidade para que os governos em todo o mundo façam parte da busca por soluções para os refugiados sírios.

Crianças sírias no chão lamacento do campo de Bab Al Salame para pessoas internamente deslocadas, perto da fronteira com a Turquia, na província de Aleppo. Foto: UNICEF/Diffidenti
São esperados representantes de cerca de 92 países, 10 organizações intergovernamentais, nove agências da ONU e 24 organizações não governamentais. Além de Grandi, falarão no evento o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e representantes de governos-chave que abrigam refugiados.
Algumas promessas de reassentamento adicional e outros locais para a admissão humanitária devem ser anunciadas durante a conferência. Dado o contexto internacional complexo e com a continuidade do conflito na Síria, o ACNUR afirmou que lugares adicionais serão necessários ao longo dos próximos meses e anos, em particular para responder às necessidades dos refugiados mais vulneráveis e para aliviar a pressão sobre os países vizinhos à Síria.
A agência da ONU estima que mais de 10% dos 4,8 milhões de refugiados da Síria se enquadram nesta categoria, e que bem mais de 450 mil novos locais serão necessários antes do final de 2018.
Em conexão com a conferência desta semana, a diretora da campanha da organização não governamental Avaaz, Alice Jay, vai entregar hoje uma petição ao chefe do ACNUR contendo mais de 1,2 milhão de assinaturas em apoio aos refugiados.
A petição, realizada já há alguns meses, pede mais reassentamentos e a reunificação familiar, juntamente com apoio financeiro aos países que estão na linha de frente da crise.
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