“Tratamentos inovadores como este, que substitem remédios desagradáveis de serem tomados e com sabor ruim, são uma conquista real, acelerando o acesso ao tratamento para crianças e mantendo os mais novos saudáveis”, acredita o diretor executivo do UNAIDS, Michel Sidibé

Posha, que vive com com HIV, participou de um programa que forneceu os antirretrovirais para prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho. Foto: UNICEF/NYHQ2013-1031/Marinovich
Crianças afetadas pelo HIV e pela Aids poderão beneficiar-se de uma nova fórmula antirretroviral que pode ser misturada à comida e desta forma, facilitar a ingestão dos medicamentos por crianças vivendo com HIV, anunciaram, nesta sexta-feira (05), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/ AIDS (UNAIDS) e o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) .
“Tratamentos inovadores como este, que substituem remédios desagradáveis e com sabor ruim, são uma conquista real, acelerando o acesso ao tratamento para crianças e mantendo os mais novos saudáveis”, disse o diretor executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. “Não é aceitável que apenas 24% das crianças convivendo com HIV tenham acesso a remédios antirretrovirais”.
Os comprimidos orais, produzidos pela fabricante de remédios genéricos da Índia CIPLA, contêm uma fórmula antirretroviral de Iopinavir e Ritonavir, e podem ser misturadas à comida da criança. O tratamento é estável com o calor e mais agradável que os remédios disponíveis atualmente, deixando-o mais propício para tratar crianças bem jovens e acaba de ser aprovado pela Agência Norte-americana de Administração de Medicamentos e Alimentos.
“Esta nova fórmula é um passo na direção certa para salvar mais vidas de crianças pequenas convivendo com o HIV”, disse o chefe do programa do UNICEF para HIV e Aids e diretor associado, Craig McClure, afirmando que esse tratamento promove a visão da agência de equidade e acesso a medicamentos para as crianças mais vulneráveis no mundo.
A infecção de HIV em crianças avança rapidamente e, em muitos países altamente impactados é um grande contribuinte para a mortalidade infantil. Sem o tratamento, uma em cada três crianças infectadas com HIV morreria antes do seu primeiro aniversário e metade morreria antes do segundo ano de vida.
O tratamento precoce de antirretrovirais em crianças, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reduz substancialmente o risco de morte. Muitos países não foram capazes de implementar plenamente a recomendação da OMS pelo desafio de não contarem com uma fórmula pediátrica mais apropriada. Apesar dos esforços globais para acelerar o tratamento infantil, menos de 800 mil das 3,2 milhões de crianças convivendo com HIV em todo o mundo tiveram acesso a remédios antirretrovirais em 2013.