Em parceria com operadora de telecomunicações, agência da ONU usará plataforma que permite que comunicação com pessoas inscritas no serviços de saúde através de mensagens de modo anônimo. Sistema ajudará no combate ao estigma e à discriminação. Piloto do projeto será testado na Costa do Marfim.

Michel Sidibé, diretor executivo do UNAIDS. Foto: UNAIDS
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e a operadora de telecomunicações Orange assinaram nesta semana um memorando de entendimento para colaboração em um novo projeto que reforçará os laços entre os profissionais de saúde e pessoas vivendo com HIV por meio do uso de tecnologia móvel.
A tecnologia móvel será utilizada para melhorar os serviços de HIV e assegurar a adesão do paciente ao tratamento, ajudando a acabar com o estigma e a discriminação. Os dados serão coletados e analisados, identificando falhas nos serviços e quais medidas devem ser tomadas para melhorar a qualidade dos serviços de saúde para pessoas vivendo com HIV. A informação colhida será anônima e a confidencialidade será totalmente mantida.
“Para alcançar as metas ambiciosas de Aceleração de Resposta propostas pelo UNAIDS até 2020, os países precisam inovar”, disse Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS. “Esta parceria com a Orange vai permitir aos países que se beneficiem de tecnologia de ponta rentável e simples de usar, garantindo que sejam fornecidos serviços da mais alta qualidade para pessoas vivendo com HIV.”
O UNAIDS e os parceiros usarão a plataforma chamada ‘Orange Mobile Training EveryWhere’ (M-Tew), uma plataforma para a web projetada para ser totalmente integrada aos sistemas de saúde e implementada em grande escala. A plataforma M-Tew permitirá que os profissionais de saúde se comuniquem com pessoas inscritas no serviços de saúde através de mensagens de texto ou por telefone e mensagens de voz.
Os profissionais de saúde serão capazes de enviar mensagens, conduzir pesquisas que avaliem as percepções do usuário sobre a qualidade dos serviços e responder perguntas através de atendimento virtual.
A tecnologia é de fácil uso e as pessoas inscritas no projeto precisarão apenas de um telefone móvel básico e uma conexão 2G para enviar e receber mensagens, sem a necessidade de baixar aplicativos ou de conexão à Internet.
A fase-piloto, que durará quatro meses, começará no final de março 2016 em Abidjan, Costa do Marfim, e envolverá mil pessoas vivendo com HIV que estão em programas de tratamento. Entre os participantes do estudo estão incluídas populações-chave, além de 300 profissionais do sexo e homens que fazem sexo com homens.
“O presidente Alassane Ouattara tem como meta a redução da prevalência de HIV na Costa do Marfim para menos de 1% até 2020”, disse Raymonde Goudou-Coffie, ministro da Saúde e Higiene Pública. “Estamos empenhados em atingir essa meta e a nova plataforma vai nos ajudar a acelerar nossos esforços para garantir que alcançaremos este objetivo ambicioso.”
A colaboração do UNAIDS no projeto se dará com autoridades locais e parceiros da sociedade civil, incluindo organizações de pessoas vivendo com HIV. Após a fase-piloto, o projeto será implementado de forma mais ampla nas unidades de saúde em toda a capital da Costa do Marfim, com planos de expansão para outros países prioritários da região.
A parceria irá impulsionar os esforços para acelerar a resposta ao HIV e acabar com a epidemia de Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030. Para isso, serão necessárias inovações e investimentos pesados nos próximos cinco anos, atingindo as metas 90-90-90 do UNAIDS, ampliando o acesso aos serviços de prevenção do HIV e garantindo zero discriminação.