Governo do Estado e as 15 cidades assinaram nesta semana a Declaração de Paris, comprometendo-se com as metas “90-90-90” pelo fim da epidemia de Aids até 2030.

Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS Brasil, durante a cerimônia de assinatura da Declaração de Paris em Porto Alegre. Foto: Jefferson Bernardes/UNAIDS Brasil
O governo do Rio Grande do Sul e outras 15 prefeituras do estado assinaram nesta quinta-feira (10) a Declaração de Paris. Lançado pelo UNAIDS há um ano, em Paris, o documento é um termo de compromisso para chegar às metas de tratamento 90-90-90 até 2020 e acabar com a epidemia de Aids até 2030.
Estes municípios – que representam cerca de 70% da epidemia em território gaúcho – formam a Força-Tafera Interfederativa para o HIV/AIDS no estado e são considerados prioritários para a resposta à epidemia no Brasil.
“Hoje, Dia Mundial dos Direitos Humanos, estamos vivendo aqui um momento histórico aqui em Porto Alegre”, disse Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS, na abertura de seu discurso durante a cerimônia. “Prefeitos do mundo inteiro, na Ásia, na África, na Europa e nas Américas estão assinando a declaração, demonstrando que o trabalho deve ser feito a nível local, e que autoridades das mais diversas orientações políticas, como vemos aqui hoje, estão se alinhando para acabar com a epidemia de Aids”, acrescentou.
“Mesmo assim, o estado tem mostrado uma queda progressiva no coeficiente de mortalidade nos últimos 10 anos. O trabalho tem dado resultado, mas o compromisso que assumimos aqui hoje pede mais: temos que acelerar esta resposta se quisermos realmente acabar com a epidemia de AIDS até 2030”, explicou a diretora do UNAIDS.
Georgiana destacou em seu discurso que a resposta à epidemia nunca foi – e nunca será – uma resposta de governo. É uma resposta de Estado. É um pacto de longo prazo assumido com toda a sociedade. Ela também ressaltou a importância de um engajamento coletivo de gestores, organismos internacionais, cientistas, setor privado, pessoas vivendo com HIV e a sociedade civil.
“Para acabar com a Aids, apenas o tratamento não basta – é necessário reinventar a prevenção e promover a justiça social e os direitos humanos. Estarmos aqui hoje, numa data tão simbólica, só reforça este compromisso do estado e destas prefeituras”, concluiu.
A Declaração de Paris reforça o compromisso dos Estados-membros das Nações Unidas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que são um apelo claro para a criação de condições que favoreçam o bem-estar de toda a humanidade.
Além disso, os chamadas objetivos globais da ONU reforçam a necessidade de implementação dos direitos humanos em todas as suas dimensões, garantindo que ninguém seja deixado para trás nesta nova agenda de desenvolvimento, especialmente as pessoas vivendo com HIV, as pessoas privadas de liberdade, as pessoas que usam drogas, profissionais do sexo, os migrantes e pessoas deslocadas, pessoas com deficiência e aquelas com 50 anos ou mais fazem parte das populações mais vulneráveis à epidemia.
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