UNAIDS: Tratamento com antirretrovirais evitou 2,5 milhões de mortes desde 1995

Relatório traz números e análises que atualizam os dados sobre tratamento, mortalidade, crescimento da epidemia no mundo e o investimento global para conter o avanço da aids.

UNAIDS: Tratamento com antirretrovirais evitou 2,5 milhões de mortes desde 1995

Aproximadamente 50% das pessoas que são elegíveis para terapia antirretroviral no mundo têm agora acesso a tratamento que salva vidas. Aumento substancial, mesmo diante de atual crise financeira global, destaca o compromisso dos países. Novo marco referencial para investimentos impulsionará os países a salvar mais vidas com menos recursos.

Berlim e Genebra – Um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS-SIDA (UNAIDS) divulgado hoje (21/11) mostra que 2011 foi um ano de mudanças estratégicas por respostas à epidemia global de Aids/SIDA, com progressos sem precedentes na ciência, na liderança política e de resultados. O relatório também mostra que as novas infecções e mortes relacionadas à Aids/SIDA caíram para os níveis mais baixos desde o pico da epidemia. Novas infecções pelo HIV foram reduzidas em 21% desde 1997 e as mortes por doenças relacionadas à Aids/SIDA diminuiu 21% desde 2005.

“Mesmo em uma crise financeira muito difícil, os países estão alcançando resultados na resposta à epidemia de Aids/SIDA”, disse Michel Sidibé, Diretor Executivo do UNAIDS. “Temos visto grande escalada no acesso ao tratamento para HIV/AIDS-SIDA que tem resultado em efeitos extremamente positivos sobre a vida das pessoas.”

O evento contou com a presença do Sr. Ministro de Estado da Saúde, Alexandre Padilha, do Diretor adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Eduardo Barbosa e do Diretor do UNAIDS no Brasil, Pedro Chequer.No Brasil, os dados do Relatório Global foram anunciados em um evento em Brasília (DF) que contou com a presença do Ministro de Estado da Saúde, Alexandre Padilha; do Diretor adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Eduardo Barbosa; e do Diretor do UNAIDS no Brasil, Pedro Chequer.

De acordo com o UNAIDS e as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 47% (6,6 milhões) das 14,2 milhões de pessoas elegíveis para o tratamento em países de baixa e média renda tiveram acesso a terapia antirretroviral em 2010, um aumento de 1,35 milhões desde 2009. O relatório Global do UNAIDS do Dia Mundial da Aids/SIDA de 2011 também destaca que existem demonstrações iniciais de que o tratamento para HIV/AIDS-SIDA tem impacto significativo na redução do número de novas infecções por HIV.

Em Botsuana, por exemplo, padrões de comportamento sexual têm se mantido relativamente estáveis desde 2000. O país incrementou o acesso ao tratamento de menos de 5% em 2000 para mais de 80%, mantendo-se nesse patamar desde 2009. O número anual de novas infecções por HIV diminuiu em mais de dois terços desde o final dos anos noventa e os dados sugerem que o número de novas infecções pelo HIV em Botsuana é de 30% a 50% mais baixo do que teria sido na ausência da terapia antirretroviral. Como o tratamento contínuo reduz a carga viral de uma pessoa vivendo com HIV a níveis praticamente imperceptíveis, e também o risco de transmitir o vírus para um parceiro não infectado, estudos recentes mostram que o tratamento pode ser até 96% eficaz na prevenção da transmissão do HIV entre casais sorodiscordantes para o HIV.

No final de 2010 foram estimados:

  • 34 milhões [31,6 a 35,2 milhões] de pessoas no mundo vivendo com HIV;
  • 2,7 milhões [2,4 a 2,9 milhões] de novas infecções por HIV;
  • 1,8 milhões [1,6 a 1,9 milhões] de pessoas morreram de doenças relacionadas a Aids/SIDA.

Tratamento com antirretrovirais evitou 2,5 milhões de mortes desde 1995

Pessoas que vivem com HIV estão vivendo mais e as mortes relacionadas à Aids/SIDA estão diminuindo devido à eficácia da terapia antirretroviral. Globalmente havia uma estimativa de 34 milhões de pessoas [31,6 a 35,2 milhões] vivendo com HIV em 2010. Desde 2005, os óbitos relacionados à Aids/SIDA diminuiu de 2,2 milhões [2,1 a 2,5 milhões] para 1,8 milhões [1,6 a 1,9 milhões] em 2010. Cerca de 2,5 milhões de mortes são estimadas de terem sido evitadas em países de baixa e média renda, devido ao maior acesso ao tratamento de HIV desde 1995.

O progresso na prevenção da transmissão do HIV

Novas infecções pelo HIV foram significativamente reduzidas ou estabilizadas na maior parte do mundo. Na África Subsaariana o número de novas infecções pelo HIV caiu em mais de 26%, desde o auge da epidemia, em 1997, liderada por uma queda de um terço na África do Sul, o país com o maior número de novas infecções por HIV no mundo.

No Caribe, novas infecções por HIV foram reduzidas em um terço comparado aos níveis de 2001 — e em mais de 25% na República Dominicana e Jamaica. Da mesma forma o número de novas infecções por HIV no Sul e Sudeste da Ásia caiu mais de 40% entre 2006 e 2010. Na Índia, novas infecções por HIV caíram em 56%.

No entanto, o número de novas infecções pelo HIV continua aumentando na Europa Oriental e Ásia Central, Oceania e Oriente Médio e no Norte da África, embora tenha se mantido estável em outras regiões do mundo.

Declínios nas novas infecções pelo HIV também são resultado de mudanças no comportamento sexual, particularmente em jovens, como a redução do número de parceiros sexuais, e principalmente o aumento do uso do preservativo, bem como a iniciação sexual mais tardia em alguns países. A prevalência do HIV entre os jovens caiu em pelo menos 21 dos 24 países com prevalência nacional de HIV de 1% ou mais. Cinco países – Burkina Faso, Congo, Gana, Nigéria e Togo – presenciaram queda da prevalência do HIV em mais de 25% entre 2001 e 2010 entre os jovens.

A taxa de novas infecções por HIV em áreas urbanas no Zimbábue caiu de quase 6% em 1991 para menos de 1% em 2010. Sem mudanças no comportamento, estudos estimaram que teria havido um adicional de 35 000 novas infecções por ano.

O relatório destaca que um aumento da circuncisão masculina também está começando a contribuir para o declínio de novas infecções pelo HIV em algumas regiões. Estudos mostram que 2 mil novas infecções por HIV foram evitadas entre homens na província de Nyanza, no Quênia, após o aumento da oferta da circuncisão masculina voluntária. Estimativas do relatório destacam um cenário onde um aumento de mais 20 milhões circuncisão em homens através da África Oriental e Austral evitaria cerca de 3,4 milhões de novas infecções pelo HIV até 2015.

Cerca de 400 mil novas infecções por HIV em crianças foram evitadas desde 1995 devido ao maior acesso a esquemas antirretrovirais eficazes nos países de renda baixa e média até 2010. Quase metade (48%) de todas as mulheres grávidas que vivem com HIV tiveram acesso a regimes eficazes para prevenir as crianças de se infectarem com o vírus.

Investimentos mais inteligentes para oferecer melhores respostas

O UNAIDS elaborou um novo plano referencial de investimentos para a Aids/SIDA que está focado em alto impacto, baseado em evidências e em estratégias de alto valor. “O marco de referencia para investimento tem como foco as comunidades, as pessoas, e não é conduzido pelos insumos. O marco coloca as pessoas no centro da abordagem e não o vírus”, disse Sidibé.

Esta nova abordagem estratégica para investimentos pode obter resultados extraordinários, pelo menos 12,2 milhões de novas infecções pelo HIV poderiam ser evitadas, incluindo 1,9 milhões de crianças entre 2011 e 2020; e 7,4 milhões de mortes relacionadas à Aids/SIDA seriam evitadas entre 2011 e 2020.

O marco referencial é baseado em seis atividades do programa essencial: intervenções focalizadas para as populações com maior risco de infecção (particularmente trabalhadoras(es) do sexo e seus clientes, os homens que fazem sexo com homens e usuários de substâncias injetáveis), a prevenção de novas infecções pelo HIV em crianças; a promoção de práticas mais seguras, promoção e distribuição de preservativos; maior acesso a tratamento, assistência e apoio para pessoas vivendo com HIV, e oferta de serviços de circuncisão médica masculina voluntária em países com alta prevalência de HIV.

Para que o marco referencial seja eficaz, ressalta-se que os países precisam reconhecer a necessidade de desenvolver ações fundamentais, como a redução do estigma e o maior respeito pelos direitos humanos, criando serviços de proteção legal e capacitação para organizações comunitárias de base, que são cruciais para a promoção de ambientes facilitadores de acesso da população e na ultrapassagem de barreiras que dificultam o alcance de respostas e programas de sucesso.

Segundo o Diretor do UNAIDS no Brasil, Pedro Chequer, o país é positivamente citado no relatório por sua decisão de ter adotado já nos anos 90 uma politica fundamentada cientificamente e que busca otimizar a eficiência dos recursos financeiros disponíveis.

No entanto, Chequer faz um alerta: “Apesar dos avanços e logros alcançados decorrentes da implementação de uma política pública cujo fundamento tem a evidência científica e o respeito aos direitos humanos como referenciais permanentes, o país, para alcançar os compromissos firmados recentemente na Assembleia Geral, além de necessariamente manter essas referências como uma política de Estado, necessita de modo imediato e em caráter emergencial reduzir as desigualdades regionais no acesso a ações de prevenção, acesso ao diagnóstico e tratamento em tempo oportuno”.

Ele enfatiza: “A aids não pode ser vista apenas como um problema a mais de saúde pública, na perspectiva de se encontrar equacionadas as lacunas existentes. Em virtude de seu caráter que envolve aspectos comportamentais, estigma e discriminação, cujo equacionamento eventualmente pode estar sujeito a análises e demandas pseudomoralistas de determinados segmentos sociais, deve ser mantida na agenda política desde o mais alto nível, de modo a garantir políticas públicas que resultem em permanente implementação de ações de modo continuado, universal e equânime em todo o território nacional”.

Chequer acrescenta: “Urge uma mobilização nacional envolvendo os diversos níveis e setores de governo, da sociedade civil e de agências internacionais com vistas a estabelecer parâmetros atualizados de ações programáticas a partir da realidade dos diversos ‘brasis’ e não segundo visão das grandes médias nacionais, conforme recomendado pelo UNAIDS em 2010 e UNGASS 2011”.

Usando o marco referencial para alcançar o acesso universal à prevenção, tratamento, assistência e apoio às pessoas que vivem com HIV até 2015, o cenário global requer uma ampliação de financiamento em torno de US$ 22-24 bilhões em 2015, em consonância com as metas estabelecidas em 2011 na Declaração Política das Nações Unidas sobre HIV/AIDS-SIDA. Se a plena implementação do novo marco é alcançada nos próximos quatro anos, as necessidades de recursos a nível global atingirão seu patamar em 2015 e depois diminuirão gradualmente, tornando a resposta à epidemia de Aids uma excelente oportunidade de investimento onde o retorno irá compensar o custo inicial em menos de uma geração.

No final de 2010 cerca de 15 bilhões de dólares americanos estavam disponíveis para a resposta à Aids/SIDA em países de baixa e média renda. O financiamento dos doadores foi reduzido em 10% de US $ 7,6 bilhões em 2009 para US$ 6,9 bilhões de dólares em 2010. Em um clima econômico difícil, o futuro dos investimentos para o controle da Aids no mundo depende de investimentos inteligentes.

Para reduzir rapidamente a novas infecções pelo HIV e para salvar vidas, o relatório Global do UNAIDS de 2011 do Dia Internacional da AIDS destaca que a responsabilidade compartilhada é primordial.

Mais informações

UNAIDSBrasil: imprensaunaidsbrazil@unaids.org / (61) 3038-9217
Aislan Silva: (61)9196-8990

UNAIDS Genebra: Sophie Barton-Knott | tel. +41 22 791 1697 | bartonknotts@unaids.org

UNAIDS, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV / AIDS, é uma parceria das Nações Unidas que lidera e inspira o mundo para alcançar o acesso universal à prevenção, tratamento, assistência e apoio. Saiba mais em www.unaids.org / www.unaids.org.br