UnB e ONU Mulheres realizam reunião aberta sobre violência contra mulheres na universidade

Encontro “Construção coletiva de ações para o enfrentamento à violência contra as mulheres” acontecerá no dia 5 de abril, das 10h às 12h, no Anfiteatro 9 do ICC Sul, no campus Darcy Ribeiro. Evento é aberto à comunidade acadêmica.

No dia 10 de março, em mais um caso de feminicídio, uma jovem de 20 anos foi assassinada dentro da UnB por seu ex-namorado. Na foto, um ato contra a violência no Teatro de Arena. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

No dia 10 de março, em mais um caso de feminicídio, uma jovem de 20 anos foi assassinada dentro da UnB por seu ex-namorado. Na foto, um ato contra a violência no Teatro de Arena. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Universidade de Brasília (UnB), por meio do Decanato de Assuntos Comunitários e da Diretoria de Diversidade, promove reunião aberta “Construção coletiva de ações para o enfrentamento à violência contra as mulheres” na próxima terça-feira (5/4), das 10h às 12h, no Anfiteatro 9 do ICC Sul, no campus Darcy Ribeiro, em Brasília. O encontro tem o apoio da ONU Mulheres Brasil.

Na reunião, serão levantadas sugestões para plano de ação da UnB, em parceria com a ONU Mulheres, para conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres nos campi da universidade.

As ações serão desenvolvidas no âmbito da iniciativa ‘O Valente Não É Violento’, vinculada à campanha do secretário-geral da ONU ‘Una-se pelo fim da violência contra as mulheres’.

Entre as ações nas universidades, destaca-se a Carta Pública pelo Fim da Violência de Gênero e Raça, com adesão e iniciativas pelo fim da violência com a USP Diversidade, o Genera – Núcleo FEA de Pesquisa em Gênero e Raça, o Poligen – Grupo de Estudos de Gênero da Poli-USP, o Ser-Tão – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade da UFG, a Diretoria de Mulheres da UNE, a Faculdade Cásper Líbero, o Coletivo Feminista Histéricas, o Instituto Federal do Maranhão, o Centro Acadêmico Visconde de Cairu (FEA-USP) e o Centro Acadêmico João Mendes Júnior (Mackenzie).

Em 2015, foi desenvolvida campanha contra o trote sexista, racista e homolesbotransfóbico. Ainda na área de educação, o ‘Valente Não É Violento’ desenvolveu currículo e seis planos de aulas para o ensino médio, voltados à igualdade de gênero.

Parceria entre a UnB e a ONU Mulheres

Em junho de 2015, a UnB aderiu ao Movimento ElesPorElas (HeForShe) de Solidariedade pela Igualdade de Gênero, promovido pela ONU Mulheres, para mobilizar especialmente os homens e meninos na defesa dos direitos de mulheres e meninas.

Em outubro de 2015, a UnB e a ONU Mulheres promoveram o curso de extensão “Investigação, processo e julgamento de mortes violentas de mulheres com a perspectiva de gênero”, realizado na Fundação Memorial Darcy Ribeiro por meio do Grupo Candango de Criminologia, da Faculdade de Direito, com a participação do Grupo de Estudos de Gênero e Psicologia Clínica (do Instituto de Psicologia), e do Núcleo de Estudo e Pesquisa Sobre a Mulher do Departamento de Sociologia (NEPEM). O curso foi coordenado pela professora Ela Wiecko.

O curso formou cerca de 30 pessoas, entre policiais civis e militares, bombeiros, delegados, promotores de justiça, defensores públicos, juízes e servidores na aplicação das diretrizes nacionais para investigar, processar e julgar as mortes violentas de mulheres, conhecidas hoje como ‘feminicídios’.

Violência contra as mulheres nas universidades

Conforme a pesquisa “Violência contra a mulher no ambiente universitário”, do Instituto Avon e Data Popular com o apoio da ONU Mulheres, para reverter o cenário de violência, tanto mulheres (95%) quanto homens (88%) acreditam que a faculdade deveria criar meios de punir os responsáveis por cometer violência contra mulheres na instituição. Também há concordância sobre incluir o tema violência contra a mulher na grade curricular, medida apoiada por 78% das entrevistadas e 64% dos entrevistados.

O levantamento ouviu 1.823 universitárias e universitários das cinco regiões do país, sendo 60% mulheres e 40% homens. Entre as entrevistadas, 67% já sofreram algum tipo de violência (sexual, psicológica, moral ou física) no ambiente universitário. Em relação à violência sexual, 28% já foram estupradas e 56% já sofreram assédio. Os dados são de 2015.