Recentes denúncias contra a violação aos direitos humanos feitas ao presidente da Guiné-Equatorial, que patrocinava e nomeava premiação da UNESCO, fizeram com que o Conselho Executivo da agência decidisse adiar o evento para averiguar as acusações.
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) anunciou na semana passada que adiou o lançamento de um novo prêmio controverso, enquanto as discussões sobre o problema continuam entre os membros da agência. O prêmio, criado em 2008, leva o nome do presidente da Guiné-Equatorial, Obiang Nguema Mbasogo, que foi recentemente acusado de violações aos direitos humanos.
A premiação busca recompensar projetos e atividades de indivíduos, instituições ou entidades por pesquisas que ajudem a melhorar a qualidade de vida humana. Foi concebido para ocorrer anualmente, com até três ganhadores por ano e 300 mil dólares concedidos entre eles, bem como medalhas individuais e diplomas.
Representantes de alguns países acusaram o governo de Obiang Nguema Mbasogo, que está no poder na Guiné Equatorial desde 1979, de violações generalizadas dos direitos humanos e disseram que a UNESCO não deve concordar com tal prêmio.
Depois de uma reunião em Paris, o Conselho Executivo da agência aprovou uma proposta da Diretora-Geral, Irina Bokova, para adiar a premiação, enquanto continuam as consultas com as partes interessadas. Ela disse ao conselho que tinha ouvido muitos intelectuais, cientistas, jornalistas e, claro, governos e parlamentos que lhe pediram para proteger e preservar o prestígio da Organização.
“Eu me dirigi a vocês com uma forte mensagem de alarme e ansiedade. Tenho plena consciência de que o Conselho Executivo tomou uma decisão há dois anos (para estabelecer o prêmio), mas eu acredito que, dadas as circunstâncias e os acontecimentos sem precedentes dos últimos meses, temos de ser corajosos e reconhecer as nossas responsabilidades, pois é nossa Organização que está em jogo”, afirmou a Diretora-Geral da UNESCO.
Bokova disse que não ia, portanto, fixar uma data para a atribuição do prêmio e recorreu ao Conselho Executivo para que as consultas prossigam, levando em consideração todos os desenvolvimentos recentes, de modo que o problema possa ser resolvido na próxima reunião do conselho, prevista para ocorrer em outubro.